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O maravilhoso mundo dos jogos eletrónicos

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A REBENTAR PELAS COSTURAS A conferência de imprensa da produtora de jogos Bethesda teve casa cheia no domingo. Um dia invulgar, mas que a empresa escolheu para antecipar a abertura da E3 e para garantir a muito disputada atenção da imprensa especializada mundial que nestes dias ruma a Los Angeles

reuters

É em Los Angeles, no ambiente eletrizante da Electronic Entertainment Expo, que serão revelados os títulos que vão marcar o último trimestre deste ano. Sony, Nintendo e Microsoft são cabeças de cartaz. Mesmo sem novas consolas para apresentar

A E3 abriu portas esta terça-feira em Los Angeles, Estados Unidos. A Electronic Entertainment Expo é a maior feira de videojogos no mundo. Pavilhões enormes repletos de stands muito produzidos, onde tanques de guerra (e não estou a falar de réplicas) se misturam com carros de última geração e com centenas de fãs que se vestem, da cabeça aos pés, como as personagens de jogos. 

É neste ambiente eletrizante que serão revelados os títulos que vão marcar o último trimestre deste ano, o mais forte para o sector. E Sony, Nintendo e Microsoft são cabeças de cartaz. Mesmo sem novas consolas para apresentar, estes fabricantes aproveitam a E3 para anunciar títulos e, acima de tudo, para deixar espreitar um pouco do futuro de uma área que, há muito, vale mais que a indústria do cinema! 

Da Sony, espera-se ver mais da forma como é possível usar a Playstation 4 em qualquer local da casa, mas o que vai ser interessante será saber mais sobre o projeto Morpheus (os óculos de realidade virtual deste fabricante) e, claro, ter acesso a mais vídeos de “Uncharted 4” – o lançamento mais importante deste ano para a consola da Sony. 

A Microsoft também pode mostrar, ao que tudo indica, jogos a correr sobre a plataforma Windows 10 na sua componente holográfica. Ou seja, jogos que permitem a interação com hologramas. Depois, todos querem ver os exclusivos da Xbox One (a consola da Microsoft), principalmente “Halo 5”, e, por fim, um novo título para a série “Gears of War”. 

A Nintendo vai continuar a expandir a oferta à volta do seu ecossistema de consolas e títulos com novos jogos e acessórios. Os tempos não estão fáceis para o fabricante japonês, que ainda não recuperou do desastre que foi a Wii U – a sua mais recente consola.

Um mundo em mudança
A E3 não é um certame só feito pelos fabricantes. As produtoras de jogos continuam a ser a parte mais ativa do ecossistema. Há dezenas de novos jogos que vão ser mostrados. Títulos que implicam anos de desenvolvimento e milhões de euros pagos a programadores e a atores, por exemplo. 

Mas este é um mundo em mudança. O mercado norte-americano dos videojogos, grande barómetro mundial, perdeu 25% em vendas de jogo em “caixa” (os jogos vendidos em disco nas lojas físicas). À semelhança do que acontece no vídeo, o download e o streaming (no caso dos jogos o pagamento de um fee para jogar online) vieram mudar o modelo de negócio. 

Números da empresa Statista revelam que os jogos disputados sobre a internet vão continuar a ser a fatia de mercado que mais vai crescer, atingindo em 2017 um valor global superior a 26 mil milhões de dólares (pouco mais de 23 mil milhões de euros). Ou seja, o formato físico está a morrer. Afinal, para quê ter o disco se a ligação à internet dá acesso ao software? (a mesma pergunta que matou a venda de CD de música). Uma relação de confiança entre o produtor e o utilizador que foi firmada pelos smartphones e tablets e pelos milhões de apps disponíveis para esses dispositivos. 

Aliás, segundo a Statista, os jogos para dispositivos móveis vão continuar a crescer em termos de vendas, mas longe daquilo que vai representar o online (em consolas e computadores pessoais). Em 2017, a empresa prevê que esses jogos valham, globalmente, 10,8 mil milhões de dólares (9.6 mil milhões de euros). 

Uma curiosidade neste mercado é a revitalização do computador pessoal. A consultora PriceWaterhouseCoopers prevê que no final do próximo ano as vendas de jogos geradas pelo “bom e velho” PC ultrapassem as geradas pelas consolas em mil milhões de dólares (888 milhões de euros). São 29 mil milhões para o primeiro segmento (25,7 mil milhões de euros) e 28 mil milhões de dólares (24,8 mil milhões de euros) para o segundo. 

Diz a consultora que a vantagem do PC vai aumentar nos anos seguintes porque esta é a plataforma de eleição para indianos e chineses. Verdadeiros batalhões de novos jogadores que estão a chegar ao mercado. Mas, em minha opinião, há dois motivos que explicam, ainda melhor, este regresso às origens. 

O primeiro é simples de entender por todos os que gostam de jogos: o PC sempre foi a melhor máquina para jogar com a maior qualidade. Basta constatar que as melhores placas gráficas do mercado (componente essencial para o computador mostrar gráficos de fantástica qualidade) podem custar perto de mil euros. Uma placa que faça a qualidade das consolas de última geração? Perto de 200 euros. 

Ou seja, há infinitamente mais pormenor num computador do que numa consola. Mais pormenor, mais realismo. E não só. “League of Legends” é o título mais jogado no planeta. Milhões de jogadores juntam-se online, diariamente, para entrar neste mundo mágico e o que os leva lá é o PC - a única plataforma que suporta o jogo. 

Mas, confesso, é surpreendente ver este retorno do PC à primeira linha dos jogos. Se a tendência se confirmar, podemos ver Sony, Microsoft e Nintendo a começarem a baixar drasticamente o preço das consolas (ou a oferecê-las?) em troca do acesso ilimitado às suas plataformas de jogos online. Mais ou menos o que fazem hoje os operadores com a subsidiação dos smartphones. 

A terminar, referir apenas que Portugal continua a ser um grande mistério no que ao mercado de videojogos diz respeito. Não há números oficiais para nada. Quantos jogadores existem? Quanto vale o mercado? Que tipo de jogos são jogados?... Um profundo mistério que os fabricantes e distribuidores não querem desvendar.