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Sociedade

Médicos vão operar mais

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Tiago Miranda

Governo vai libertar 22 milhões de euros para aumentar a atividade cirúrgica no Serviço Nacional de Saúde até ao final do ano 

Cirurgias a cancros da mama e próstata, hérnia discal, artroplastia da anca e cataratas vão beneficiar de um estímulo acrescido. O Ministério da Saúde decidiu atribuir um financiamento extra de 22 milhões de euros para que os médicos dos hospitais públicos façam mais operações nestas áreas. O objetivo é executar mais 16 mil cirurgias entre 1 de julho e 31 de dezembro deste ano.  

O Plano de Intervenção Cirúrgica "marca uma nova fase de incentivo à atividade cirúrgica nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, abrangendo áreas cirúrgicas mais carenciadas", explica o gabinete do ministro da Saúde, Paulo Macedo, num comunicado enviado às redações esta terça-feira. É ainda explicado que será dada preferência à "modalidade de tratamento cirúrgico em regime de ambulatório, reforçando a tendência que tem vindo a ser incrementada nos últimos anos".  

A seleção das unidades hospitalares caberá às administrações regionais de saúde mediante candidatura prévia. O Governo exige aos concorrentes uma "taxa de resolução da Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) superior a três meses, evidência de gestão adequada da LIC em cada nível de prioridade e a observação de uma produtividade base total igual ou superior à média nacional para a especialidade", lê-se na portaria publicada em "Diário da República". 

O investimento no Serviço Nacional de Saúde surge no mesmo dia em que o Observatório Português dos Sistemas de Saúde divulgou o "Relatório de Primavera 2015". O diagnóstico sobre o estado atual das unidades públicas de saúde é muito negativo, levando mesmo os investigadores a afirmarem que o acesso a cuidados de saúde estatais corre perigo.

Após a apresentação do estudo, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde afirmou que o documento peca "por omissão" e garantiu que o acesso ao SNS não está em risco. Fernando Leal da Costa defendeu que não há dados que demonstrem que a crise teve um impacto negativo na Saúde. E rematou: "A história analisará o nosso trabalho com a imparcialidade que alguns analistas ainda não conseguem ter".

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