Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

MERS-CoV, sabe o que é? Tudo sobre a Síndrome Respiratória do Médio Oriente

  • 333

KIM HONG-JI/ REUTERS

A Coreia do Sul regista, desde o dia 20 de maio, 153 casos de Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV), surto que provocou até agora um total de 19 mortes (mais uma, na Alemanha). Saiba tudo sobre esta doença

O que é a Síndrome Respiratória do Médio Oriente?Conhecida por MERS-CoV (do inglês "Middle East respiratory syndrome"), é uma doença transmitida por um vírus da família dos coronavirus, identificado pela primeira vez em 2012 na Arábia Saudita. Provoca infeções pulmonares graves e, segundo Jaime Nina, professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e infecciologista do hospital Egas Moniz, "a sua taxa de mortalidade ronda os 40%".

Incidência geográfica
Até ao final de 2014 foram registados 198 casos, 84 deles fatais. Estes são, pelo menos, os números de "casos notificados", conforme sublinha Jaime Nina, salientando que a maior parte deles ocorreu na península arábica (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuweit, Iémen, Jordânia, Líbano) . Outros casos foram identificados em países como a Alemanha, Inglaterra, Suíça, mas apenas como situações isoladas.

Em relação ao surto atual, na Coreia do Sul, a Organização Mundial de Saúde refere até esta terça-feira um total 153 casos confirmados (um deles na China, onde o paciente morreu) e 19 mortes.

Como é transmitida?
Acredita-se que o vírus tenha origem nos morcegos, que não o transmitem aos humanos (embora investigadores da Universidade do Minnesota, EUA, tenham descoberto recentemente duas mutações do vírus que o tornam possível), mas sim a outros animais, como o camelo, cuja proximidade com as pessoas é muitos grande nos países do Médio Oriente. "As corridas de camelos, por exemplo, são uma tradição e a relação com estes animais nesses países é muito semelhante à que estamos habituados em relação aos nossos animais de estimação", diz Jaime Nina.

Há também registo de casos transmitidos entre humanos - a partir do contacto com secreções de pessoas doentes - mas "são mais raros".

Quais são os sintomas?
Se no caso dos animais são sintomas ligeiros, sem gravidade, nos seres humanos o vírus manifesta-se de forma mais agressiva, "podendo evoluir para uma pneumonia viral".

O vírus começa a  multiplicar-se nos brônquios, provocando uma infeção respiratória com sintomas parecidos a uma gripe ou pneumonia. Os principais sintomas incluem febre, dores musculares, fadiga, tosse e falta de ar. 

A condição física pode ser determinante. Pessoas mais velhas, com doenças crónicas ou outras que afetem o sistema imunológico, são as mais vulneráveis, podendo falar-se numa "recuperação a 100%" no caso de indivíduos saudáveis.

Formas de prevenção 
Não há vacina para a Síndrome Respiratória do Médio Oriente.

Uma vez que os camelos são considerados a principal fonte de contágio, os países mais afetados recomendam evitar o contacto com estes animais, sendo aconselhável a utilização de máscaras.

As medidas preventivas são, de resto, similares às usadas no combate à gripe. Incluem lavar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar, evitar tocar os olhos, nariz e boca com as mãos sujas e - mesmo que seja raro o contágio entre humanos - evitar contato direto com pessoas doentes. 

Qual o tratamento?
Não existe um tratamento específico. Os sintomas são combatidos com analgésicos e com aerossóis. Nas situações mais graves impõe-se tratamento hospitalar.

Há razões para alarme?
Sendo provocada por um vírus da mesma família que o responsável pela SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa), a Síndrome Respiratória do Médio Oriente é menos preocupante, considera Jaime Nina, já que entre humanos é mais baixo o número médio de pessoas infetadas por indivíduo infetante (índice conhecido por R0).

A SARS provocou "um calafrio no mundo" em 2003, e revelou-se de difícil controlo, ao passo que, graficamente, a MERS tem "por enquanto" um pico reconhecível: "Há mais casos na primavera, precisamente quando nascem os camelos, sendo que os animais mais jovens são também os que estão mais expostos à doença. O número de casos que as notícias referem atualmente coincide com este pico".