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Vaticano anuncia o primeiro julgamento por pedofilia

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O Papa Francisco ordenou a prisão domiciliária de Josef Wesolowski em setembro

GIAMPIERO SPOSITO/ REUTERS

Antigo arcebispo é acusado de vários abusos de menores enquanto desempenhava funções na República Dominicana. Gravidade das acusações levou a que o seu caso fosse apresentado pessoalmente ao Papa Francisco

Jozef Wesolowski, antigo núncio na República Dominicana que está acusado de abuso sexual de menores e de posse de pornografia infantil, vai ser o primeiro membro da Igreja Católica a ser julgado no Vaticano pela alegada prática de pedofilia.

Segundo o anúncio feito esta segunda-feira, o julgamento começa a 11 de julho. Caso seja considerado culpado, Wesolowski pode ser condenado a uma pena de 6 a 10 anos de prisão.

O antigo arcebispo, 66 anos, é acusado de vários abusos de menores enquanto desempenhava funções na República Dominicana, entre 2008 e 2013, tendo uma reportagem televisiva revelado também que pagava regularmente a rapazes dominicanos por serviços sexuais.

A gravidade das acusações levou a que o seu caso fosse apresentado pessoalmente ao Papa Francisco. Menos de um ano depois, en junho de 2014, o religioso polaco foi afastado do sacerdócio, na sequência de um processo canónico instruído pela Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Oficio.

Apanhado na posse de pornografia infantil já em Roma, em 2013 e 2014, acabaria por ser colocado sob prisão domiciliária em setembro, por ordem expressa do Papa Francisco, que entendeu "que um caso tão grave e delicado" deveria ser tratado "sem demora, com o  direito e o rigor necessários, e com o pleno assumir de responsabilidades por parte das instituições da Santa Sé".

Segundo o Vaticano, "as graves alegações" contra Wesolowski vão ser escrutinadas e, "se necessário", haverá recurso à "cooperação legal internacional para a avaliação da prova testemunhal" obtida na República Dominicana.

As autoridades dominicanas, com as quais o Vaticano afirmou cooperar estreitamente, identificaram pelo menos quatro rapazes vítimas de abuso pelo enviado papal.

Entretanto, dois bispos norte-americanos foram demitidos por encobrirem crimes semelhantes, informou o Vaticano no mesmo comunicado.

Ainda que não seja adiantada a razão para as demissões do arcebispo de Saint Paul e Minneapolis, John Clayton Nienstedt, e do adjunto, Lee Anthony Piche, estes foram precisamente os nomes identificados por associações de vítimas como os responsáveis hierárquicos que ocultaram os abusos sexuais cometidos por um outro padre, Curtis Wehmeyer.