Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Um milhão de provas, centenas de agentes e alguns nervos à mistura

  • 333

Alberto Frias

Arranca esta segunda-feira a primeira fase dos exames nacionais do secundário. São mais de 150 mil alunos que vão mostrar o que aprenderam. Para a maioria, é também o acesso à Universidade que está em causa. É a maior operação montada pelo Ministério da Educação. O Expresso conta-a em números

Oficialmente, a época de exames já começou com perto de 200 mil alunos do 4º e do 6º anos a fazerem exame a Português e Matemática no final de maio. Mas é a partir de segunda-feira que as coisas se tornam mais sérias. A estes vão juntar-se cerca de 100 mil estudantes do 9º ano à beira do completar o ensino básico e outros 150 mil do secundário que precisam destas notas para concluir o liceu, fazer contas à média e à possibilidade de entrar no curso superior desejado. 

250.000
Apesar de haver cada vez mais alunos no secundário, são cada vez menos os inscritos em exames. Parece contraditório, mas tem uma explicação: é que o aumento tem-se sentido sobretudo em cursos que não obrigam à realização de exames nacionais. É o caso dos cursos profissionais e dos vocacionais, em que os alunos só realizam exames nacionais se quiserem candidatar-se ao ensino superior. Ainda assim, há 157.000 inscritos, a maioria (55%) raparigas. A estes juntam-se cerca de 100 mil alunos do 9º ano, que têm de prestar provas a Matemática e a Português. Contam 30% para a nota final.

92
Coordenadores e autores são responsáveis pela conceção dos exames nacionais. É sobre eles que recai a responsabilidade maior de fazer um exame equilibrado (a orientação do Ministério tem sido para manter o nível de dificuldade dos anos anteriores), sem qualquer espécie de incorreção ou formulações duvidosas. Para cada pergunta só pode haver uma, e apenas uma, resposta. E é para garantir que não há nenhuma hipótese de erro que 115 auditores e consultores se juntam ao processo e verificam os enunciados de ponto de vista científico e pedagógico.

4
Erros assumidos pelo Gabinete de Avaliação Educativa, atual Iave, em 17 anos de exames nacionais. Houve três situações em que os erros obrigaram anular uma pergunta e a redistribuir a cotação e um outro caso em que foi admitido como corretas duas hipóteses de resposta. O número de polémicas e alegadas incorreções tem sido muito superior, mas apenas nestes 4 casos a existência de erros objetivos foi consensual.

16
Semanas é o tempo médio que cada equipa demora a produzir um exame, desde a primeira reunião até à impressão das provas na Editorial do Ministério da Educação, uma gráfica que trabalha em exclusivo para este serviço.

1 milhão
Contando com as provas nacionais de Matemática e de Português do 4º, 6º e 9º anos, os exames do secundário, as diferentes versões para as duas chamadas/fases e ainda para os alunos com necessidades educativas especiais são impressas na Editorial do Ministério cerca de 1 milhão de provas. Como em média têm 12 páginas, são 12 milhões de folhas de papel A4 que saem daquelas instalações, metidas em sacos invioláveis.

300
Agentes da GNR, em média, asseguram diariamente e ao longo das próximas semanas a escolta permanente dos exames, desde as esquadras, onde ficam guardados até pouco antes da hora da prova, para as 1279 escolas onde haverá exames do 9º ano e para as 647 com exames do secundário. Este ano a operação foi batizada com o nome de Corvo. A estes juntam-se outras centenas de agentes da PSP – a polícia não disse quantos – que fazem o mesmo trabalho nas áreas da sua jurisdição.

12.000
Todo o secretismo e cumprimento de regras em torno dos exames nacionais desde a sua produção (ninguém sabe quem são os autores das provas) segue depois para dentro das escolas, corredores e salas de exame. Em cada uma têm de estar em permanência 2 professores vigilantes. O Ministério estima que sejam precisos 12 mil para assegurar que não há cábulas nem copianços nas provas do 9º e do secundário. Outros 12.200, segundo a mesma estimativa, ficarão responsáveis por corrigi-las. Nos corredores, há também funcionários a controlar as movimentações na escola.

53
Provas no total foram anuladas por irregularidades ou fraudes no conjunto de todos os exames feitos no básico e no secundário em 2014. O número é residual e tem sobretudo a ver com a posse de telemóvel. Mas só em três casos foi confirmada fraude declarada, com utilização intencional do telemóvel para fotografar uma prova resolvida e envio a um colega e ainda duas situações de utilização de cábulas As regras do Júri Nacional de Exames são claras: “Os alunos não podem ter junto de si quaisquer suportes escritos não autorizados, como livros, cadernos ou folhas, nem quaisquer sistemas de comunicação móvel, incluindo telemóveis, relógios com comunicação wireless, bips, etc. Mochilas, carteiras, estojos devem ser escolhidos por elementos da escola ou colocados junto à secretária dos professores vigilantes.”

7,4
Valores foi a média mais baixa na 1ª fase dos exames do secundário em 2014. Aconteceu com Matemática B (feita pelos alunos do curso de Artes Visuais). Mas se se olhar só para as médias dos alunos internos (aqueles que frequentaram as aulas todo o ano e não anularam a matrícula, por exemplo) o recorde da média mais baixa vai para Física e Química A e Matemática A, ambas com 9,2 valores. A classificação mais alta foi registada a Inglês (12,7 valores).