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Vitorino bate Marques Mendes na TAP

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José Coelho / LUSA

Foram 14 reuniões com equipas de 40 pessoas. Marques Mendes 
e Vitorino envolveram-se diretamente. Neeleman convenceu há duas semanas   

“Estes gajos vão ganhar”. Faltava uma semana para as propostas finais mas aquela sexta-feira, 29 de maio, foi o momento marcante. Houve reuniões com os líderes dos candidatos, Gérman Efromovich a uma hora, David Neeleman e Humberto Pedrosa noutra. Quando saíram, os membros da equipa do Governo olharam uns para os outros e disseram: o americano nascido no Brasil vai ganhar. 

“Notava-se no brilho dos olhos, no entusiasmo, na forma estruturada como tinha o plano relativo ao futuro”, conta uma fonte presente nessa reunião. Neeleman disse-lhes então que estava apaixonado pela TAP, pelo país e que já estava a estudar a História de Portugal. Quando a proposta veio, era a melhor. 

Foram sete reuniões de negociação com cada agrupamento, com mais de 40 pessoas envolvidas, nos Ministérios das Finanças, da Economia e no escritório de advogados. A Vieira de Almeida (num grupo liderado por João Vieira de Almeida) fez a assessoria jurídica do Estado, cabendo a assessoria financeira ao Citi (e ao seu líder para Portugal, Miguel Azevedo).

A operação movimentou muitos assessores. Incluindo dois advogados com influência na política e que intervieram ativamente: Marques Mendes, da Abreu Advogados, estava com Efromovich; António Vitorino, da Cuatrecasas, com Neeleman. A proposta que venceu foi a apoiada pela Cuatrecasas (num grupo liderado por Diogo Perestrelo), trabalhando ao lado da firma inglesa Freshfields. Neeleman teve a assessoria financeira do Barclays (liderada por Rogério Alexandre), ficando a assessoria de comunicação nas mãos de Abílio Martins. 

No Estado, foram os secretários de Estado que lideraram o processo: Sérgio Monteiro, do ministério da Economia, e Isabel Castelo Branco, das Finanças. Poucas horas depois do anúncio da privatização, o seu irmão publicava no Facebook uma notícia com a fotografia da secretária de Estado. E uma legenda: “My sister selling TAP”. A irmã vendeu a TAP.