Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Este artigo é para ampliar a sua biblioteca (e esperamos que a melhore)

  • 333

António Pedro Ferreira

As recomendações são de alguns dos jornalistas que se habituou a ler todas as manhãs no Expresso Curto, a newsletter matinal do Expresso

Ainda não foi à Feira do Livro em Lisboa? É certo que por estes dias o cheirinho a papel e tinta fica um pouco condicionado pelo da sardinha assada (é semana de santos populares). Mas a feira prossegue até domingo e ainda pode dar um saltinho ao Parque Eduardo VII. E se ainda está indeciso sobre o que trazer, confira as sugestões de alguns dos jornalistas que lê todas as manhãs no Expresso Curto.

RICARDO COSTA

"Herzog", de Saul Bellow (Quetzal Editores)

No último Expresso, o Pedro Mexia recomendou uma biografia de Bellow e lembrou que Philiph Roth “tem defendido que o século americano produziu dois génios do romance, Bellow e Faulkner”. Com uma vénia, concordo com Roth, embora a genialidade de Faulkner seja bem mais evidente. Saul Bellow, o maior dos escritores judeus americanos, está a ser republicado por cá e ainda bem. E é por isso que sugiro o maior dos seus romances, aquele que lhe deu um Nobel, embora isso nem sempre seja uma recomendação valiosa. Neste caso é mesmo.

PEDRO SANTOS GUERREIRO

"Os Meus Sentimentos”, de Dulce Maria Cardoso (Tinta da China)

Um SMS que recebi diz tudo: “Já sei que compraste ‘Os Meus Sentimentos’. Tenho estima por ti, daí o aviso: não te esqueças de abrir o paraquedas durante a viagem. Pá, get ready. Mesmo. Nunca mais vais esquecer a Violeta”.

MARTIM SILVA

"A minha história", de Hillary Clinton (Dom Quixote)

Regressado de férias, encontro uma esperada encomenda da Amazon. Quatro livros, quatro sugestões de temas políticos, bem atuais, que aqui partilho convosco. Dos quatro, aquele que já está traduzido em português e poderá encontrar na Feira do Livro é a autobiografia da ex-secretária de Estado de Obama. Sobre as eleições americanas, e à medida que o tempo corre e Hillary Clinton se confirma como a grande favorita à vitória e a suceder a Obama na Casa Branca, temos uma obra autobiográfica de leitura imprescindível para conhecermos um pouco melhor aquela que poderá ser em breve a mulher mais poderosa do planeta.

E embora ainda não estejam traduzidos, partilho também os outros três:

"Blair Inc., The Man Behind the Mask", de Francis Beckett, David Hencke e Nick Kochan  (John Blake Publishing Ltd)
De primeiro-ministro do Reino Unido a milionário bem-sucedido, eis o percurso recente de Tony Blair, o homem da terceira via da esquerda europeia que hoje a esquerda europeia gosta de odiar. Eis um livro que vale a pena ler.

"Believer: My Forty Years in Politics", de David Axelrod  (Penguin USA)
O grande spin doctor de Barack Obama, nas suas próprias palavras. O homem que fez do congressista de Chicago o presidente dos EUA, o homem que inventou os slogans que correram mundo. Para quem gosta de política e de perceber o que se esconde por trás de uma campanha e de uma candidatura presidencial.

"The Residence: Inside the Private World of the White House", de Kate Andersen Brower (Harper Colins Publishers)
Depois de duas sugestões a propósito de política norte-americana, termino com uma sugestão de… política americana. Mas de um ângulo mais leve. Quem não gosta ou pensa espreitar pelo buraco da fechadura? É o que se propõe fazer esta antiga correspondente da Casa Branca.

LUÍSA MEIRELES

"1889", de Laurentino Gomes (Porto Editora)

Quem leu os primeiros livros da trilogia "1808" e "1822", deste autor - e os juntou nas suas leituras a um outro excecional, "Coração de Rei", de Iza de Salles Freaza (Planeta, 2009) -, quer ler mais sobre a história do Brasil, mas neste tom, solto e divertido, em que se aprende mesmo sem querer. "1989" é sobre a proclamação da República e era mesmo o que faltava, depois de se ler sobre a fuga da Corte de D. João e a proclamação da independência deste país pelo rei apaixonado, D. Pedro IV (ou I).

"Número Zero", de Umberto Eco (Gradiva)
Já o referi no Expresso Curto, porque vale mesmo a pena. Mistura política com jornalismo, em jeito de romance, com a História em pano de fundo. A ficção, por vezes, não excede a realidade.

NICOLAU SANTOS

Um livro de vida e para a vida: "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar (Ulisseia)

Há livros que só se escrevem depois dos 40 anos, sublinha Yourcenar nas notas do seu esplendoroso "Memórias de Adriano". E, na verdade, a reconstituição do pensamento e da ação de um dos maiores imperadores romanos, que a par de decisões de grande alcance estratégico para o império também não se coibiu de tomar outras de grande crueldade, é um livro que deveria ser de leitura obrigatória a partir dos 40 anos. Porque nos ensina a lidar com o poder. E a perceber como funciona a cabeça de quem tem poder e tem de lidar com milhões de súditos. E a descobrir como a par da mão de veludo é por vezes necessário utilizar o punho de ferro. E como a solidão do poder é uma realidade, que impõe reflexões profundíssimas a quem é vítima dela. E como se pode conjugar a arte da guerra com o apoio às artes e à cultura. E como a arquitetura e o urbanismo podem ser usados para refletir a grandiosidade do império e as características divinas do imperador. Volto, com regularidade, a "Memórias de Adriano". É muito mais profundo e estimulante do que qualquer livro escrito por um guru da gestão. E pode ser aplicado à gestão de empresas e de pessoas, com muito maior sucesso do que milhares e milhares de livros sobre liderança empresarial.

Ir à Feira do Livro é sempre uma festa. Volto de lá carregado de sacos e com a carteira bem mais leve. Este ano ainda só fui uma vez. Mas recomendo o que comprei: "O angolano que comprou Lisboa (por metade do preço)", de Kalaf Epalang, um conjunto de crónicas em que um angolano escreve uma carta de amor à cidade que adotou e que o adotou; "O meu irmão", de Afonso Reis Cabral, que venceu o Prémio LeYa; "Música para aguardente", de Charles Bukowski, um conjunto de crónicas abjetas de um dos grandes escritores norte-americanos; "Correios", também de Bukowski (o primeiro romance dele; mas se nunca leu o autor, é melhor começar com "Música para aguardente"); e sempre alguns livros de poesia, de Maria Teresa Horta, Manuel Alegre, Rosa Lobato Faria, e novos, de que Filipa Leal é o maior expoente.

Boas leituras.