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Filme épico sobre a FIFA é um fracasso de dimensões... épicas

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Exibido no festival de Cannes de 2014, o filme "United Passions" só agora foi estreado no mercado norte-americano. Na imagem, Gérard Depardieu (que interpreta Jules Rimet, um dos fundadores da FIFA) e Joseph Blatter, o presidente atualmente demissionário, juntos em Cannes

ALBERTO PIZZOLI / AFP / Getty Images

"United Passions", uma obra de ficção cujos protagonistas se chamam Joseph Blatter e João Havelange, estreou na pior altura possível nos Estados Unidos 

Luís M. Faria

Jornalista

Tinha tudo para ser um sucesso. Estrelas de Hollywood, um orçamento de milhões, um tema popular. A narrativa, centrada em três homens poderosos que venciam muitas adversidades para criar e desenvolver uma instituição, a FIFA, destinada a alegrar milhões de pessoas, queria-se em tom épico. Infelizmente, o timing revelou-se infeliz.

Já no ano passado, quando o filme “United Passion” estreou na Europa (Portugal incluído), corriam suspeitas sobre a FIFA, o que não deve ter ajudado. Agora que elas se confirmam e a instituição que tutela o futebol mundial se encontra envolvida no maior escândalo de corrupção da sua história, com autoridades norte-americanas também envolvidas na investigação aos negócios sujos nos bastidores da federação internacional, talvez o distribuidor norte-americano de filmes tenha achado que era a altura ideal para apresentar a fita nos cinemas locais. 

Se foi esse o cálculo, saiu completamente errado. No primeiro fim de semana de exibição nos EUA, o filme rendeu o equivalente a uns quinhentos euros. Em certos cinemas, havia exatamente uma pessoa a vê-lo.

Não foi a única coisa a correr mal. "United Passions" (Paixões Unidas), realizado por um tal Frédéric Auburtin, pretendia contar a história da FIFA. Encomendado e pago pela própria, conta com Tim Roth (no papel de Joseph Blatter, o presidente demissionário), Sam Neill (a fazer de João Havelange, o brasileiro que se sentou na cadeira do poder antes de Blatter e mais tarde galardoado presidente honorário) e Gérard Depardieu (representando Jules Rimet, o fundador da organização).


Com os quase vinte milhões de euros que a produção custou, devia pelo menos ser fácil de ver. Mas parece que nem isso. Pelo menos a avaliar pela crítica do “The Guardian”, que lhe chamou "excremento cinematográfico".

O “The New York Times não foi mais simpático, dizendo que "United Passions" era "um dos filmes mais invisionáveis na memória recente, uma peça desonesta de limpeza moral digna de uma de suite corporativa, que nem sequer é boa para rir". Outras críticas reforçaram a ideia, e sites como o IMDB deram-lhe ratings próximo do zero.  

O público também falou e os resultados de bilheteira são eloquentes. Uma das críticas mais repetidas diz respeito à trama dramática, considerada simplista e inverosímil. Nem toda a gente, porém, achou má a fita. Jérôme Valcke, o secretário-geral da FIFA (por acaso um dos envolvidos no atual escândalo, por causa de um suborno de 10 milhões de dólares, entre outras coisas) disse que era um filme "aberto, autocrítico e altamente agradável". Dele não se esperaria, aliás, outra opinião...