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Defesa de Sócrates vai recorrer da “vingança mesquinha”. “Andam há seis meses a inventar”

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Nuno Botelho

Juiz Carlos Alexandre manteve o ex-primeiro-ministro em prisão preventiva. Advogado João Araújo reage: “Ao fim de seis não têm nada. São seis meses e meio sem provas e sem factos”

A defesa de José Sócrates vai recorrer da decisão de manter o ex-primeiro-ministro em prisão preventiva, anunciada esta terça-feira pelo Tribunal Central de Instrução Criminal. O advogado João Araújo acusa o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre de estarem a levar a cabo um “vingança mesquinha”, mas que não o deixa surpreendido. 

“É uma decisão de clara vingança do procurador e do juiz. Uma vingança mesquinha”, afirmou João Araújo esta terça-feira à tarde, depois de ter deixado o Estabelecimento Prisional de Évora, onde se encontrou com Sócrates.

A defesa garante que não foi chamada para se pronunciar e que nunca foi comunicado nenhum facto real. O advogado afirma afincadamente que nada existe contra o antigo primeiro-ministro: “Ao fim de seis não têm nada, andam há seis meses a inventar. São seis meses e meio sem provas e sem factos. Os tais factos só existiram para a propaganda”.

À porta da prisão de Évora, o advogado diz que os arguidos da Operação Marquês “estão a ser libertando às prestações para não se notar tanto”. Referindo-se mais uma vez a Rosário Teixeira e a Carlos Alexandre, João Araújo lamenta que “um país e um povo estejam entregues a estas pessoas”.

“É perseguição pessoal e política”, referiu o advogado, que acrescentou que há muito que deixou de reconhecer “a justiça e o direito” neste caso. João Araújo deixa ainda um recado: “Espero que já tenham percebido que se [Sócrates] não verga também não quebra”.

Face à recusa de José Sócrates, anunciada segunda-feira, em usar uma pulseira eletrónica, o Tribunal Central de Instrução Criminal concluiu que não estão reunidas as condições para o ex-primeiro-ministro poder ir para casa em regime de prisão domiciliária. A decisão do juiz Carlos Alexandre surge depois de o procurador Rosário Teixeira ter considerado que a “substituição da prisão preventiva ficou inviabilizada” com a decisão de José Sócrates.