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Cadeia britânica de supermercados vai doar comida que não venda

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Em 2014, a Tescos - a maior cadeia de supermercados do Reino Unido - deitou fora cerca de 55,400 toneladas de alimentos, dos quais 33,000 em perfeitas condições para consumo. A partir de agora,a empresa vai entregar a comida em excesso a instituições de apoio social.

A Tescos, a maior cadeia de supermercados do Reino Unido vai passar a entregar a instituições de apoio social a comida que não venda.

A iniciativa foi anunciada esta terça-feira pelo diretor executivo da marca, que confessou o seu "desconforto" ao tomar conhecimento das estatísticas referentes ao volume de alimentos deitados ao lixo no ano passado.

Só em 2014, a Tescos deitou fora cerca de 55,400 toneladas de comida, estando 33,000 toneladas em perfeitas condições. As áreas com mais sobras são as secçções de padaria, fruta e vegetais, saladas  e sandes pré-embaladas.

A partir de agora, a cadeia compremeteu-se a entregar esta comida a entidades que ajudem os sem-abrigo, centros de acolhimento para mulheres e instituições de apoio a crianças.

O problema da comida em excesso nos supermercados não é novo. Só no Reino-Unido 1,3% de toda a comida é desperdiçada anualmente, um número avançado pela British Retail Consortium.

As razões para este desperdicío são variadas. De acordo com uma lista elaborada pelo site “Say No To Food Waste”, os motivos incluem a sobre-compra de artigos aos produtores - para dar aos consumidores a imagem de riqueza e bem-estar da marca - e o facto de ser deitada fora comida apenas por ser um aspeto menos apelativo.

A empresa será a primeira companhia no Reino Unido a tomar esta medida, numa altura em que cresce a pressão não só sobre os supermercados, mas também sobre o Governo britânico e a União Europeia.

Em França, foram aprovadas em maio medidas semelhantes que proíbem mercearias e supermercados de deitar fora comida em boas condições, sendo as empresas e lojas obrigadas a doar os alimentos, sob pena de sofrerem multas que podem atingir os 75.000 euros.

A medida foi também uma resposta ao comportamento de várias cadeias de supermercado que contaminavam o seu lixo com detergente para impedir os sem-abrigo de recolherem comida.

Em Portugal, de acordo com o estudo “Do Campo ao Garfo- Desperdício Alimentar em Portugal”, realizado em 2012 pela Fundação Calouste Gulbenkian, desperdiça-se cerca de 17% da comida produzida no país. Contudo, nos últimos anos têm surgido movimentos que tentam solucionar o problema, como a rede nacional de solidariedade a DA- Direito de Alimentação, que conta com a ajuda das câmaras de Lisboa e de Oeiras 

A legislação em Portugal proíbe toda a doação de alimentos que não cumpram regras mínimas de higiene e condições mínimas de refrigeração, tendo a rede começado a usar arcas frigoríficas para o transporte dos alimentos.