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80 anos depois, doutorada "com grande distinção"

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BODO MARKS/ EPA

Aos 102 anos, quase oito décadas depois de o regime nazi a ter impedido de apresentar a sua tese, Syllm-Rapoport tornou-se a doutorada mais velha do mundo. “Fez-se Justiça”, considerou o reitor da Universidade de Hamburgo

Em 1938 foi impedida de fazer a apresentação da sua tese de mestrado, por ser filha de uma mãe judia, mas Ingeborg Syllm-Rapoport não desistiu e agora, em 2015, tornou-se a doutorada mais velha do mundo, depois de defender a sua tese diante de um painel da Universidade de Hamburgo.

 

“Após quase 80 anos, devolvemos algum sentido de justiça” declarou um emocionado, Burkhard Göke diretor do hospital da Universidade de Hamburgo, não sem lamentar o facto de não se poder alterar o passado.

 

Ao ser-lhe recusada a hipótese de apresentar a tese sobre difteria - uma doença bastante comum e perigoso na primeira metade do século XX, em particular na Alemanha - Rapoport não conseguiu terminar o curso no seu país.  O próprio reitor à época, Rudolf Degkwitz, pediu desculpas à estudante por carta, confessando “ que devido às leis raciais nazis, a Sra. Sylmm nunca poderia terminar o seu doutoramento.”

 

Syllm-Rapoport emigrou nesse mesmo ano de 1938 para os EUA, sem curso ou doutoramento. Poucos meses depois conseguiu acabar a formação através da Universidade de Filadélfia, graduando-se em pediatria,  área em que trabalhou até 1952, quando se fixou na RDA com o marido (também ele socialista).

 

Em Berlim tornou-se a primeira diretora e a especialista residente do Hospital Universitário de Charité, na unidade de neonatolagia..

 

Na hora de, finalmente, defender a sua tese, a estudante "sénior" escolheu o mesmo tópico, ainda que tenha sido necessário voltar a estudar, para se atualizar em relação aos avanços em relação à difteria, doença quase extinta ao longo do século XX. Rapoport contou ainda com a ajuda de amigos da universidade para se preparar.

 

“Brilhante e não só para a sua idade” assim descreveu a apresentação  o reitor da universidade, Uwe Koch-Gromus, citado pelo jornal “The Guardian”. Sobre a "estudante", acrescentou: "Ficámos impressionados com a sua consciência intelectual e boquiabertos com a sua perícia.”.

 

Ingeborg Syllm-Rapoport  acabou o doutoramento com a classificação de "magna cum laude", ou seja,  com grande distinção.

“É o dia mais feliz da minha vida”, comentou, no final, a doutorada. A cerimónia de entrega do diploma está marcada para o dia 3 de julho.