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Guerra de números com as ambulâncias paradas do INEM

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José Carlos Carvalho

Comissão de trabalhadores fala em 11 viaturas imobilizadas, enquanto o INEM aponta apenas uma. Tudo por causa da recusa dos técnicos de emergência em cumprir mais horas extraordinárias.

Onze das 17 ambulâncias existentes em Lisboa do serviço do INEM estão paradas esta segunda-feira devido à recusa dos técnicos em fazer turnos extra. A denúncia pertence à comissão de trabalhadores, embora o organismo revele que só uma está inoperacional.

Em declarações à agência Lusa, Rui Gonçalves, representante da comissão de trabalhadores, adiantou: "Pelas 9h já se encontram 11 ambulâncias inoperacionais, além de uma das duas motas do serviço de emergência médica e de constrangimentos no CODO (Centros de Orientação de Doentes Urgentes)".

Por seu turno, Ivone Ferreira, do INEM, garantiu à Lusa que "estão operacionais 16 viaturas" enquanto a 17.ª só estaria operacional pelas 10h, uma vez que a tripulante está com horário reduzido para amamentação.

Ivone Ferreira adiantou ainda que o serviço de emergência está a ser assegurado na capital lisboeta, acrescentando a existência de outras 75 ambulâncias, dos bombeiros da Grande Lisboa, disponíveis para ajudar nos serviços de urgência.

"A segurança dos doentes está garantida na cidade de Lisboa. Temos 75 ambulâncias [dos bombeiros ao serviço] como nunca tivemos graças à solidariedade do Sistema Integrado de Emergência Médica", assegura Ivone Ferreira.

Ricardo Rocha, do Sindicato dos Técnicos de Ambulâncias de Emergência, explicou estar em causa o serviço de socorro já desde há algum tempo, com os técnicos de emergência a terem de fazer 23 a 24 dias consecutivos de trabalho.

O sindicalista adiantou que as horas extraordinárias já ultrapassaram as 150 anuais, sublinhando: "E ainda estamos no mês de junho".

Este domingo, os técnicos de emergência médica iniciaram uma vigília por volta das 0h, que juntou cerca de cem pessoas à porta da sede do Instituto Nacional de Estatística, em Lisboa, numa forma de protesto silenciosa.

Numa nota após estas declarações, o INEM garantiu em comunicado que a emergência médica está assegurada esta segunda-feira em Lisboa e que participará ao Ministério Público contra quem contribuir para colocar em risco o socorro urgente a pessoas.

Segundo o instituto, "existem mesmo SMS [mensagens via telemóvel] que incentivam ao absentismo e ao abandono do serviço, depois de iniciado, através de mecanismos diversos e abundantemente sugeridos".

Recorda que tais "comportamentos não podem ser tolerados na Administração Pública" por revelarem "falta de profissionalismo" que poderá colocar em risco o atendimento emergente.

Nesses casos, o INEM participará ao Ministério Público todos os que contribuam para "colocar em risco o socorro urgente a pessoas".