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Aquele Portugal onde se vai três vezes: uma em pequenitos, outra como pais e finalmente como avós

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Rui Duarte Silva

Há 75 anos que há Portugal do Pequenitos - esta segunda-feira foi dia de assinalar a efeméride daquele país em miniatura onde se aprende brincando

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Há quem diga que ao Portugal dos Pequenitos, em Coimbra, costuma-se ir três vezes na vida: uma em pequenitos, outra como pais e finalmente como avós. Cinco décadas após a última intervenção de fundo, no dia em se comemora o aniversário do mais antigo parque temático do país e único na Europa de edificado histórico de escala reduzida à medida da criançada, a Fundação Bissaya Barreto prepara-se para dar uma segunda vida e vocação ao espaço inaugurado a 8 de junho de 1940.

"Aqui aprende-se brincando", refere Patrícia Nascimento, presidente da Fundação Bissaya Barreto, lembrando o mote original do parque projetado pelo arquiteto Cassiano Branco e idealizado pelo filantropo e cirurgião Bissaya Barreto como uma viagem, a partir do centro do país, aos nove séculos de história da nacionalidade portuguesa através dos seus monumentos, pavilhões representativos das antigas colónias e das emblemáticas casinhas de cada uma das regiões de Portugal de norte a sul, da Madeira e dos Açores.

Após meses de retoques estéticos ao velho edificado, Patrícia Nascimento aposta agora numa nova vocação para o Portugal dos Pequenitos, pensada como um espaço de fruição também para adultos, com a instalação de obras plásticas de artistas contemporâneos, loja, serviços pedagógicos e lúdicos e área de restauração, "valências que permite às famílias desfrutarem de um dia animado sem sair do parque".

A duas novas atrações do momento, esta segunda-feira, são uma Casa de Chá em ferro forjado a evocar a delicada técnica da filigrana, da consagrada artista plástica Joana Vasconcelos, e uma réplica da típica casa das Aldeias de Xisto, construída pela ADXTUR (Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias de Xisto). 

Instalada no jardim que irá traçar a zona de transição entre o edificado anterior a 1960, década da construção dos pavilhões alusivos ao Portugal ultramarino, e o do parque que irá acolher num futuro próximo as réplicas dos edifícios mais representativos da nova vaga da arquitetura portuguesa, a inédita Casa de Chá em forma de bule de Joana Vasconcelos será decorada com flores de jasmim e foi gizada como espaço de convívio para os mais pequenos.

Visto de soslaio durante muitos anos como um marco do Portugal salazarento, pequenino, fechado sobre si próprio, o Portugal dos Pequenitos quer acabar de vez com a conotação negativa, que a líder da fundação que gere o parque afiança estar ultrapassada. "Este é um espaço que se quer sem nostalgias, que representa um país que se orgulha das suas origens, que não esconde o seu passado e tem vontade de se renovar", afirma Patrícia Nascimento.

Depois das 18h, a entrada no recinto foi gratuita, contemplando o programa de festas e atividades com personagens históricas,  música e oficinas criativas. O momento alto, que contará com a presença de Pedro Passos Coelho, será assinalado com um largada de balões e o soprar de 75 velas num bolo gigante. 

Entre 2015 e 2016, a Fundação Bissaya Barreto vai avançar com o início da construção de edifícios, que irão passar a representar mais de um terço do parque, com espaços de lazer e jardins, projeto de "vários milhares de euros" a financiar por fundos europeus.

Todos aos anos passam pelo recinto mais visitado da eterna cidade dos estudantes, cuja zona universitária foi classificada Património da Unesco em 2013, 230 mil curiosos nacionais e estrangeiros.  O bilhete de família custa €25.95 (dois adultos e duas crianças), o tour guiado €1.75, existindo preços reduzidos para grupos escolares.

  • O Portugal dos Pequenitos está a crescer

    O Portugal do Pequenitos comemora esta segunda-feira 75 anos mas recusa-se a envelhecer. Casa de Chá em forma de bule de Joana Vasconcelos marca o início da segunda vida do mais antigo parque de diversão temático do país rumo ao Portugal contemporâneo