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Investidores do mundo querem startups portuguesas

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Tristan Pollock, da 500 Startups

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Estão esta sexta-feira no Lisbon Investment Summit 2015 e vieram para investir. O Expresso falou com dois destes investidores. Estão “ativamente” à procura de oportunidades em Portugal. Conheça quem são e o que procuram nos projetos

Arrancou ontem o Lisbon Investment Summit 2015, o maior evento português de investimento semente e fase inicial, organizado pela Beta-i, em parceria com a IE Business School e a Caixa Capital. Accel Partners, Balderton Capital, Point Nine Capital e Notion Capital são alguns dos investidores de risco internacionais que estarão presentes. Investiram em empresas como a Dropbox, Groupon ou Spotify, reúnem ativos de cerca de 12 mil milhões de euros e vão fazer coinvestimentos com investidores locais.

Tristan Pollock
É parceiro da 500 Startups, uma das capitais de risco mais ativas do mundo com investimento em mais 1000 empresa no espaço de cinco anos, e co-fundador da Storefront, um mercado online que ajudou a abrir mais de 1000 lojas em 2014 , juntando designers e artistas num único espaço de retalho e de forma temporária. A mais recente startup que criou, o SocialEarth, um site sobre empreendedorismo social com mais de 200 colaboradores em 25 países, foi vendida à 3BL Media em 2012. Já este ano, foi distinguido pela Forbes 30 Under 30, lista que agrupa 30 empresários com menos de 30 anos.

Tristan gosta de se rodear por pessoas apaixonadas, trabalhadoras e motivadas, e nos projetos por que se interessa, procura sobretudo respostas às seguintes questões: “Tem clientes? Esses clientes estão a pagar? A ideia resolve um problema real? Interessa aos clientes ou ao mundo? A equipa tem a experiência necessária para executar, trabalha bem e com paixão? “.

No evento que arranca hoje, Tristan quer conhecer startups potuguesas e levar duas ou três para o próximo programa de aceleração da 500 Startups. “Investimos em empresas com um produto construído, que tenham clientes / receita e estejam a crescer. Gostamos de grandes ideias que possam ser dimensionadas e dominar um sector. Pessoalmente, eu gosto indústrias não-sexy, mercados, impacto social e empresas que capacitem as zonas urbanas e a classe criativa.

Considera Portugal um país empreendedor?
Acho que sim. Desde as artes, passando pelo Boom Festival até à área da tecnologia, tenho ficado impressionado com a qualidade das startups que encontro aqui, bem como com os programas que as apoiam. No programa de aceleração da 500 Startups, também já financiámos empresas de crescimento rápido com laços a Portugal laços, como TalkDesk (que angariou no final do ano passado perto de 2,5 milhões de euros).

Onde devem os portugueses investir? Em que áreas?
“Onde maior é a dor, maiores os problemas”. Eu venho da área do empreendedorismo social, por isso acredito que cada empresa, tecnológica ou não, precisa de ter um significado. As startups precisam de adicionar valor verdadeiro para a comunidade e clientes. Na Storefront estamos a capacitar as pessoas mais criativas que tenham voz no diálogo urbano. No SocialEarth, tornámo-nos no recurso número um recurso de artilha de histórias e recursos para empreendedores sociais que fazem o bem no mundo. Por que é que a sua startup ou ideia importam?

Como podem os países como Portugal usar o empreendedorismo como um motor da economia?
Construindo empresas com impacto global. Pode haver um “caso de uso” para Portugal que também pode ser aplicado na Europa ou nos Estados Unidos? Quanto mais a empresa pode obter, maior a oportunidade para a construção de um escritório com uma equipa vibrante e cultura em Portugal.

James Cameron
James Cameron trabalha na capital de risco Accel Partners, que gere mais de 7,7 mil milhões de euros em ativos, e é dos fundadores da Bipsync, em Silicon Valley. Antes de começar um MBA na Stanford Graduate School of Business, James trabalhou no Morgan Stanley. O investidor está “ativamente à procura de oportunidades de investimento” e “gostava de encontrar a empresa portuguesa certa para investir”. “Se você estiver trabalhando em algo grande, venha e fale comigo!”, avisa.

James acredita que é importante pensar global desde o primeiro dia e mostra-se entusiasmado em ver startups portuguesas como a Feedzai e a Farfetch a fazerem isso. James valoriza a ambição, a tenacidade e a confiança nos empreendedores. E às vezes, acrescenta, “ajuda ser um pouco louco apenas!”. Apesar de estar mais focado na área da tecnologia digital, James não limita o seu interesse a setores específicos ou fases de investimento. “Ajuda manter a mente aberta, na medida em que a inovação genuína pode vir de qualquer lugar”. “Pessoalmente, estou realmente entusiasmado em conhecer algumas grandes novas empresas que trabalham dentro do espaço de B2B (business-to-business) e empresarial - incluindo SaaS (software as a servisse), segurança, análise, etc. Sei que Portugal tem uma quantidade incrível de talentos nessas áreas e estou muito excitado ver o que as empresas podem construir aqui nos próximos anos”

Considera Portugal um país empreendedor?
Absolutamente. Como em qualquer lugar, Portugal tem tido grandes fundadores, que não resistem à sedução do empreendedorismo. O que tem sido muito excitante para nós é que estamos agora a começar a ver os blocos de construção de um ecossistema auto-sustentável e muito saudável a encaixarem-se. Vi uma enorme quantidade de energia criativa a sair de hubs de startups como Lisboa e Porto, e o ritmo de desenvolvimento parece ter realmente acelerado nos últimos dois anos. Há várias novas conferências e eventos a surgir, bem como grandes organizações de startups, como Startup Pirates, Startup Lisboa, Beta-i e Startup Braga, que têm ajudado a turbinar o ecossistema. Também estamos a começar a ver algumas histórias de sucesso inacreditáveis, como a Farfetch , que servem como bons exemplos para os empresários que estão a arrancar agora.

Como pode Portugal fomentar o espírito empresarial e ajudar a criar novas empresas?
Acho que se Portugal está seriamente a tentar ter um ecossistema sustentável e de alta qualidade que possa ajudar a dimensionar startups em negócios globais, o foco deve ser em torno de criar um ambiente no qual a comunidade possa prosperar. Tal não significa apenas fornecer excelentes instalações e espaços de trabalho - isso é o mínimo. A criação de uma comunidade começa com o envolvimento das melhores pessoas – os melhores business angels, capitais de risco e empreendedores que construíram empresas de sucesso no passado. Se se conseguir ter essas pessoas envolvidas com a comunidade e levá-las a investir seu tempo (e dinheiro!) na próxima geração de startups , então um ciclo virtuoso começa e acelera verdadeiramente o ecossistema.

Como podem os países como Portugal usar o empreendedorismo como um motor da economia?
A partir das experiências que tempos em outros hubs de startups , sabemos que a inovação e o empreendedorismo podem andar de mãos dadas na condução do crescimento económico e da prosperidade. Portugal ainda está a caminho da recuperação de uma das crises económicas mais graves da história recente, e uma comunidade empreendedora próspera pode proporcionar um enorme impulso. O impacto imediato é óbvio - melhora as perspectivas de emprego, especialmente para os jovens que de outra forma teriam sido forçados a deixar o país em busca de trabalho. E a longo prazo, o ecossistema ajuda a construir uma pool de talentos em software, marketing, estratégia, etc, que pode fazer de Portugal uma localização atraente para as empresas internacionais se instalarem.