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Sociedade

Os movimentos caóticos das luas de Plutão

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Modelização de Plutão e das suas luas à escala de Júpiter

NASA / Showalter / SETI Institute

São como "adolescentes teimosos que se recusam a seguir as regras", revela um dos investigadores do estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature. Os autores levantam novas questões sobre a formação e interação do sistema plutoniano

Estige, Nix, Cérbero e Hidra. As quatro pequenas luas de Plutão desenvolvem órbitras e movimentos caóticos em torno do planeta anão do sistema solar e de Caronte, a sua maior lua. Esta descoberta faz parte de um estudo norte-americano, publicado esta quarta-feira na revista científica Nature, que avança mais detalhes sobre as propriedades físicas e dinâmicas das quatro pequenas luas.

"As luas de Plutão são como adolescentes teimosos que se recusam a seguir as regras", sublinha Douglas Hamilton, da Universidade de Maryland e coautor deste estudo que revela que, a par dos movimentos orbitais previsíveis e estáveis, existem movimentos de rotação mais aleatórios e caóticos. As declarações são destacadas pelo jornal "Guardian".

O estudo baseou-se em dez anos de observação das interações entre o planeta anão e o seu meio envolvente, através do telescópio especial "Hubble" - que, na última década, já descobrira a existência de Estige, Nix, Cérbero e Hidra. Agora, e através da observação e reconstituição de imagens enviadas pelo "Hubble", os astrónomos norte-americanos Mark Showalter (Instituto SETI) e Douglas Hamilton (Universidade de Maryland) chegaram a conclusões sobre a sua configuração orbital e luminosidade. 

Reuters

"Supunha-se que, num passado distante, um meteorito tenha batido em Plutão e que as suas luas se tenham formado a partir da nuvem de detritos (como o sistema Terra-Lua)", explica Mark Showalter à AFP. "Esperávamos que as luas fossem iguais. Agora sabemos que não é o caso", declara, sublinhando que Nix e Hidra "parecem ter uma superfície brilhante como Caronte", mas "Cérbero é muito mais escura", o que levanta questões sobre a formação do sistema plutoniano.

Para além disso, foi ainda possível tirar conclusões e apontar pistas sobre a maneira como os planetas e satélites se formam, mantendo-se nas suas órbitras durante milhares de milhões de anos. Mark Showalter realça que, mesmo que os dados não permitam concluir o mistério da criação de Plutão e das suas luas, "qualquer pessoa que apresentar uma nova explicação deverá levar em consideração estas observações".

A descoberta é publicada um mês antes da sonda "New Horizons" passar perto do planeta anão do sistema solar, esperando-se que as suas observações possam solucionar algumas questões relacionadas com o sistema plutoniano.  

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