Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Greve dos enfermeiros. Sindicato fala em 80% de adesão

  • 333

Os enfermeiros cumprem esta quinta e sexta-feira dois dias de greve

Manuel de Almeida / LUSA

Líder do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses diz que a adesão à greve no primeiro turno confirma a "enorme insatisfação e descontentamento" por parte da classe

A adesão à greve nacional dos enfermeiros rondou os 80% no turno inicial do primeiro dos dois dias da contestação, disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

José Carlos Martins adianta que a adesão à greve no primeiro turno confirma a "enorme insatisfação e descontentamento por parte dos enfermeiros”, traduzida em 80% de adesão no turno da noite.

O sindicalista considera que os enfermeiros não entendem o porquê da sua classe ser aquela que menos ganha. De acordo com dados do Ministério das Finanças, e entre os licenciados da administração pública, os enfermeiros são os "que menos ganham quando comparados com professores e outros técnicos superiores de saúde".

"Ninguém compreende porque é que os enfermeiros especialistas, que investem um ano e meio em formação, chegam às instituições, melhoram a qualidade dos cuidados, reduzem custos às instituições e ganham a mesmíssima coisa", salienta o sindicalista.

O líder do SEP exige do Ministério da Saúde "uma valorização da carreira dos enfermeiros e das condições do trabalho", considerando estar demonstrado que, havendo mais enfermeiros e melhores condições de trabalho, estes "salvam mais vidas, reduzem as infeções hospitalares em 30% e o número de dias de internamento".

José Carlos Martins diz ainda que se os centros de saúde tiverem mais enfermeiros, organizados por famílias, serão reduzidos "milhares de internamentos e idas às urgências", além de se melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses cumpre desde as 0h desta quinta-feira o primeiro de dois dias seguidos de greve nacional, contra a "degradação das condições de trabalho" destes profissionais e pela valorização da carreira de enfermagem.

Cirurgias programadas, consultas externas e serviços nos centros de saúde devem ser afetados pela paralisação, mas, como em qualquer outra greve, os enfermeiros cumprirão serviços mínimos.

O sindicato acusa o atual Governo de ter poupado cerca de 190 milhões de euros à custa dos enfermeiros, nomeadamente com o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais, com os cortes nas horas de penosidade, bem como através do congelamento de escalões.

Além de mais recursos humanos, o SEP insiste na necessidade de valorizar a profissão que tem sofrido vários constrangimentos ao longo dos últimos anos, como congelamento das progressões, corte nos salários, nas horas extraordinárias e nas horas penosas.

Segundo o organismo sindical, metade dos enfermeiros sofre de exaustão física e psíquica e também mais de metade afirma que o seu ambiente de trabalho é mau.