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Drogas estão mais puras, mais potentes e mais perigosas

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Observatório Europeu teme aumento das mortes por overdose e alerta para risco de ressurgimento da heroína

As drogas estão a chegar ao mercado cada vez mais puras e mais potentes, o que aumenta os riscos para a saúde e a probabilidade de mortes por overdose, alerta esta quinta-feira o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).

No "Relatório Europeu sobre Drogas 2015: Tendências e evoluções", divulgado hoje, o Observatório frisa que está a haver um "aumento acentuado" da potência da cannabis e da pureza da cocaína e da heroína, nomeadamente devido à sofisticação dos métodos de produção e à crescente concorrência entre traficantes, que os leva a colocar no mercado substâncias cada vez mais fortes e perigosas e a um preço mais baixo.

"Quando há alterações bruscas no grau de pureza da droga, há maior probabilidade de overdose", avisa ao Expresso Cláudia Storti, do OEDT. Em 2013 (últimos dados disponíveis), estima-se que tenham ocorrido na União Europeia pelo menos 6100 mortes por overdose, sobretudo associadas à heroína, o que dá uma média de 17 por dia. 

De acordo com o relatório, estão igualmente a ser detetados no mercado europeu comprimidos de ecstasy com "altas dosagens"e um grau de pureza "muito elevado" de MDMA, uma substância estimulante com propriedades alucinogénias, o que levou o Observatório e a Europol a emitir no último ano vários alertas de saúde pública. 

Os avisos estendem-se à cannabis, a droga mais consumida na Europa, que está também cada vez mais forte. "Parte da produção da erva tem vindo a ser transferida de Marrocos para a Europa e essa deslocalização permite que chegue aos consumidores mais rapidamente, mais forte e a custos mais baixos. Estão a ser vendidos produtos altamente potentes, com riscos acrescidos para a saúde, nomeadamente de psicose", explica a responsável do OEDT. 

O número de urgências hospitalares associados ao fumo de cannabis tem vindo, por isso, a aumentar nos últimos anos na generalidade dos países europeus.

O regresso da heroína
Apesar de estar em declínio há quase uma década, a heroína pode voltar em força à Europa. No documento, o Observatório refere que o "aumento substancial" da produção de ópio registado nos últimos dois anos no Afeganistão, o principal "fornecedor" desta droga, vai fazer crescer a oferta de heroína no mercado europeu muito brevemente. "Vai ter um grande impacto na quantidade de heroína disponível, nomeadamente em Portugal", alerta Cláudia Storti.

Mas há mais motivos de preocupação. No ano passado, pela primeira vez desde 1970, foram detetados na Europa dois laboratórios de transformação de morfina em heroína, ambos na vizinha Espanha, o que também parece indicar o ressurgimento desta droga, a que leva mais pessoas a tratamento e a que acarreta maiores custos sociais e de saúde.