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Ela era alvo de queixas frequentes por agredir vizinhos, mas nada fazia suspeitar o que foi descoberto

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Homem de 38 anos terá vivido preso numa moradia na Amoreira, em Cascais, nos últimos oito anos. A separá-lo da liberdade estava um portão de ferro fechado com correntes e cadeado

O lote 24 da Rua Nova da Ribeira na Amoreira, em Cascais, já era conhecido da GNR local, em Alcabideche, por desacatos. A matriarca da família, 62 anos, já tinha sido alvo de queixas por agressões a vizinhos, mas nada fazia suspeitar o que esta terça-feira foi descoberto. 

Chamados ao local devido a mais um distúrbio, que provocou até ferimentos num morador que teve de ser assistido no Hospital de Cascais, os guardas encontraram um homem, entre os 30 e os 40 anos, fechado numa divisão interior da habitação. A vítima é filho da mulher, que vivia com o marido, também de 60 anos, e uma filha, de 26 anos.

Antes de entrarem na vivenda, os militares da GNR ouviram gemidos vindos do interior da casa e, a partir da porta, conseguiram ver o homem preso numa divisão com um portão de ferro fechado com correntes e cadeado. “Era um espaço muito pequeno, muito sujo, sem janelas, com um colchão fininho no chão. Não tinha casa de banho, só uns baldes e um amontoado de coisas difíceis de descrever”, explica o tenente Filipe Costa ao Expresso. “Aliás, toda a casa estava assim”, acrescenta.

Sem sinais de passar fome

Cruzando relatos dos vizinhos, a GNR avança que a vítima poderá estar privada de liberdade há cerca de oito anos, data em que foi vista no exterior pela última vez. Quando foi encontrado, o homem  tinha o cabelo e a barba muito grandes, mas não aparentava ser sujeito a privação de alimentos. 

“Não tinha marcas de agressões violentas, não estava ferido nem com magreza excessiva, mas revelava fraca alimentação”, acrescenta o militar. Foi transportado para o Hospital de Cascais para observação, assim como a irmã mais nova, que apresentava também sinais de desorientação mental. À GNR, a mãe disse que prendia o filho, que tratou várias vezes por “meu menino”, para o proteger por ser muito agressivo.

A família, originária de Cabo Verde, vive naquela casa há mais de 20 anos e estava sinalizada pela Segurança Social, onde a vítima estará inscrita como deficiente mental. A matriarca foi conduzida para o Hospital de São Francisco Xavier, de onde já saiu. Terá sido presente a tribunal esta quarta-feira para que lhe seja aplicada a medida de coação. 

A investigação está nas mãos da Polícia Judiciária, por poder estar em causa um crime de sequestro. Os indícios, porém, apontam mais para um caso de natureza social.  Toda a família vive com Rendimento Social de Inserção.

artigo atualizado às 17h45