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Enfermeiros param quinta e sexta. "Metade está exausta, metade diz que o ambiente é mau"

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Enfermeiros pintam um mural durante um protesto em Odivelas (Lusa)

Sindicato marca greve nacional e garante que faltam 25 mil enfermeiros em Portugal. "Vários estudos demonstram que as infeções hospitalares reduzem-se em 30% se houver número de enfermeiros ajustado às necessidades"

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) marcou uma greve nacional para quinta e sexta-feira contra a "degradação das condições de trabalho" destes profissionais e pela valorização da carreira de enfermagem.

O presidente do sindicato, José Carlos Martins, acusou o governo de ter poupado os últimos anos cerca de 190 milhões de euros à custa dos enfermeiros, nomeadamente com o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais, com os cortes nas horas de penosidade, bem como através do congelamento de escalões.

Em conferência de imprensa, esta segunda-feira em Lisboa, os enfermeiros reconheceram que tem havido "um volume razoável" de enfermeiros admitidos, mas lembram que continua a ser insuficiente para as necessidades.

"Contudo alertamos que uma coisa é cerca de 700 admissões de enfermeiros desde janeiro, mas isso não significa um aumento de 700 efetivos. Porque apesar destas entradas, também tem havido saídas,  sobretudo por emigração e também por aposentação", referiu José Carlos Martins.

O SEP admite que, além destes 700 novos contratados, há um concurso para mil vagas nos cuidados de saúde primários, mas os sindicalistas lembram que estes procedimentos concursais são demorados e que estes profissionais levam mais de um ano a começar funções.

"É necessário descongelar um maior volume de admissões, porque os concursos são muito demorados", sublinhou o presidente do SEP, que considera que faltam no país 25 mil enfermeiros.

Além de mais recursos humanos, o Sindicato insiste na necessidade de valorizar a profissão que tem sofrido vários constrangimentos aos longo dos últimos anos, como congelamento das progressões, corte nos salários, nas horas extraordinárias e nas horas penosas.

Segundo o SEP, metade dos enfermeiros sofre de exaustão física e psíquica e também mais de metade afirma que o seu ambiente de trabalho é mau.

"Há vários estudos que demonstram que se houver número de enfermeiros ajustado às necessidades, as infeções hospitalares reduzem-se em 30%, reduz-se brutalmente o número de quedas, as mortes e os internamentos. Se houver o número de enfermeiros suficiente, o Estado poupa milhares de euros", afirmou José Carlos Martins aos jornalistas.

O presidente do SEP diz que foram apresentadas propostas de valorização profissional ao Ministério da Saúde, que até ao momento não terá apresentado as suas contrapropostas.

  • O momento histórico já tem algumas respostas

    Trata-se de um fenómeno que é encarado com um “momento histórico”: o número de enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido aumentou cinco vezes em quatro anos. Só que até agora pouco se sabia sobre eles.

  • Quando Ana pensou deixar Portugal tinha 52 anos. Vive na Arábia Saudita há três, onde a nacionalidade condiciona o salário. Precisa de um motorista para andar de carro e de um intérprete para o contacto com os doentes, mas diz que não se arrepende da decisão que tomou. O que mais a aflige é a ideia da proibição. “Nada do que para nós é natural é natural aqui.”