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Expresso

Crescei e fotografai-vos

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O grande armazém. Dentro de uma sala onde os poderosíssimos servidores alojam a informação da Google

Enchei e dominai as clouds. Tal como no acesso à internet e ao mail, o que antes era pago acaba mais tarde por ser oferecido. O novo serviço Google Photos dá armazenamento ilimitado de imagens e vídeo de borla.

Nos dias de hoje, o que não foi fotografado e partilhado, é como se não tivesse acontecido. Já quase não vivemos o momento, tal a compulsão de o registar. Foi este o ponto a que chegámos neste mundo em que temos todos potentes câmaras fotográficas e de filmar dentro dos nossos bolsos, e onde o narcisismo de nos mostrarmos ao mundo foi irremediavelmente catapultado pelas redes sociais. Tornou-se pois absolutamente necessário documentar, gravar e partilhar praticamente tudo o que nos acontece - desde o que comemos ao jantar, ao pôr-do-sol na janela da nossa sala, à cara dos nossos filhos ao acordar.

Com isto, veio uma quantidade ingerível de informação que está a empanturrar os nossos discos rígidos, os nossos telefones e até as nossas clouds. Muitos já pagam para armazenar as fotos algures numa nuvem, pondo-as supostamente a salvo sabe-se lá onde. Tudo isto é, claro está, um negócio lucrativo. Até agora. A Google decidiu rebentar com o mercado das clouds e oferecer o Google Photos, um serviço de armazenamento de imagens e vídeos sem limite de espaço, disponível para iOS e Android (com resoluções de imagem até 16 megapixels, e vídeos de 1080p). 

A mais valia do serviço, além obviamente do preço, é o facto de incorporar tecnologias de pesquisa inovadoras. Através de algoritmos de reconhecimento de imagem, o Google Photos vai classificar as suas imagens automaticamente por categorias, sem ser preciso colocar nenhuma "tag". Vamos poder pesquisar fotos de pessoas específicas, que depois de identificadas, o serviço consegue reconhecer mesmo à medida que envelhecem. Nada menos do que extraordinário.  

Más notícias para uma série de concorrentes, como a Apple iCloud, Flickr, Dropbox, Microsoft OneDrive, Amazon Cloud Drive, entre outros. A Apple, por exemplo, cobra 240 dólares por ano por um terabite. O Flickr é o mais em conta, oferecendo o mesmo terabyte, mas obrigando os utilizadores a ver anúncios de página inteira.  

O Google Photos é mais uma acha na fogueira que opõe a Apple e a Google. Mais do que uma guerra de concorrentes, é um choque de culturas que afasta as duas gigantes tecnológicas. Enquanto a primeira tem uma atitude perfecionista, sofisticada, controladora  e fechada, a segunda é acelerada, experimental, liberal e aberta. A primeira é adepta da paywall, a segunda do grátis – duas filosofias radicalmente opostas com fervorosos defensores dos dois lados da barricada. E neste campo, como no dos media, ainda não é certo qual das duas vai vingar.