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Macário acusa: “Fui enganado por ex-colaborador”

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José Ventura

Ex-autarca é suspeito de dar licenciamento ilegal a uma casa numa reserva ecológica. Pode ser condenado até oito anos.

O Ministério Público acusa Macário Correia de ter dado luz verde à construção de uma moradia numa zona de Reserva Ecológica Nacional (REN) contra os pareceres desfavoráveis de dois técnicos da autarquia de Tavira e utilizando um argumento que “não correspondia à realidade”. O então presidente da Câmara justificou o licenciamento invocando que no local se encontravam ruínas “que impermeabilizam o solo”, não integrando por isso o REN. Só que na acusação do DIAP de Évora, a que o Expresso teve acesso, os procuradores concluem que no terreno “apenas existiam alguns montes de entulho e pedras”. 

Em declarações ao Expresso, Macário Correia garante que foi “enganado por um ex-colaborador” da autarquia neste processo em que é acusado de prevaricação de titular de cargo político, crime que tem uma pena entre dois a oito anos de prisão.“Esta pessoa disse-me uma coisa. E eventualmente outra mais tarde”, acrescenta o ex-autarca, que não quis revelar a identidade do antigo colaborador. “Nunca forjei nada. Agi de boa-fé com as informações que me foram veiculadas por quem confiei.” 

O MP garante que o ex-autarca concedeu vantagens patrimoniais ao dono dos terrenos, estando ciente de que violava “os deveres enquanto responsável pelo licenciamento de obras no concelho”. Macário diz só ter aprovado a localização e a arquitetura: “A obra não se fez. Não há vantagem patrimonial nenhuma.”