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A Barbie entrou para a GNR

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A boneca mais famosa do mundo juntou-se à Guarda Nacional Republicana para mostrar às meninas que não é preciso ter poderes mágicos para se ser um super-herói.

A Barbie deixou no guarda-fatos os vestidos de princesa, as asas de fada, os stilettos cobertos de purpurinas. Despiu-se de poderes mágicos e futilidades e entrou para o corpo da Guarda Nacional Republicana (GNR). Esta domingo, véspera do Dia Mundial da Criança, aparece pela primeira vez ao público fardada e logo com traje de cerimónia, que o dia é de festa. A sua função: mostrar às meninas que os super-heróis andam com os pés na terra e nem precisam de superpoderes “para fazer coisas extraordinárias”.

A ideia surgiu quando a GNR preparava um evento infantil, que se realiza este domingo nos Jardins de Belém, entre as 13h e as 18h, junto ao Mosteiro dos Jerónimos. O slogan da linha mais atual da boneca - Be Super – colava-se perfeitamente à mensagem que aquela força de segurança quer passar às gerações mais novas. Só faltava vestir o ícone para a ocasião. Seguiu-se um telefonema à Mattel, a aceitação imediata da parceria e após duas semanas de trabalho artístico surgiu a mini-militar, uma One of a kind Doll (peça única) feita exclusivamente para a ocasião. “De momento não está prevista a comercialização da Barbie GNR, porque exige uma produção mínima de 50 mil unidades, elevada para o mercado português”, explica Sara Marçal, directora de marketing da Mattel.

Coube a Raul Silva Lopes, de 32 anos, cobrir o corpinho oco de vinil, de 29 centímetros, com o fardamento das militares da GNR, reproduzido ao mais ínfimo pormenor. Com formação de arquitetura, mas a trabalhar atualmente no arquivo clínico do Hospital de Santarém, Raul é doll stylist nas horas livres. Depois de vencer o prémio de mérito na 2ª Convenção de Colecionadores de Barbies, em que recriou a girls band Doce (versão Bem Bom), a Mattel não teve dúvidas em escolhê-lo para criar a militar.

“Pesquisei muito, escolhi cada tecido na cor e textura exatas, as cordas brancas, os botões, para que ficasse o mais fiel possível. Depois fiz um primeiro protótipo que levei à GNR de Santarém para ver se estava tudo bem. Foi preciso retificar umas riscas da manga, os botões de trás e a forma como se entrelaçavam os cordões. Em duas semanas estava pronta”, conta Raul Silva Lopes. Havia regras básicas a seguir: a saia tem de tapar o joelho, a boneca não pode aparecer sentada (porque as militares não se sentam com o traje de cerimónia) e o cabelo tem de estar apanhado. Só foi aberta uma exceção: a militar surge de saltos altos. O calçado “clássico e sóbrio” pedido só existe nas bonecas dos anos 80 e 90 e não servem às atuais, que mudaram de medidas.

E porque ao lado de uma Barbie está sempre um Ken, Raul criou também um GNR. Aqui, apenas um pedido: que fosse moreno como a maioria dos portugueses. A dupla será apresentada domingo na festa da Guarda em Belém, entre pinturas faciais de camuflagem, passeios a cavalo, defesa pessoal para os mais novos, demonstrações com cães, tendas com equipamento de visão nocturna e baptismos de mergulho em piscina.