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Há cada vez mais vozes a pedir a saída de Blatter. A de Maradona é uma delas

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Joseph Blatter está debaixo de fogo e agora até dirigentes políticos apelas à sua demissão

STEFFEN SCHMIDT / EPA

O presidente da Associação Inglesa de Futebol e o antigo internacional argentino dizem que o presidente da FIFA tem de se afastar. A 24 horas das eleições convocadas para esta sexta-feira, patrocinadores como a Visa e a Coca-Cola também aumentam a pressão.

As detenções ocorridas esta quarta-feira de sete altos dirigentes da FIFA, incluindo dois vice-presidentes, e a confirmação de que há pelo menos duas investigações em curso a alegados esquemas de suborno, lavagem de dinheiro e fraude na atribuição da organização de Campeonatos do Mundo, que durarão há mais de 20 anos, continuam a lançar ondas de choque sobre a mais poderosa organização de futebol.

À rádio La Red de Buenos Aires, o futebolista argentino Diego Maradona, citado pelo "The Guardian", lamenta que as suas acusações sobre a existência de corrupção no seio da FIFA tenham sido ignoradas ao longo dos anos. "Fui tratado como um louco. Agora o FBI disse a verdade. Não há futebol. Não há transparência. Chega de mentiras e jantares para reeleger Blatter", aponta.

Também Greg Dyke, presidente da Associação de Futebol inglesa declarou que o todo-poderoso presidente da FIFA, que até ontem todos davam como vencedor inequívoco das eleições marcadas para esta sexta-feira, pediu o seu afastamento. "Sepp Blatter tem de ir. Ou resigna ao seu cargo ou tem de ser afastado ou temos de encontrar uma terceira via. A UEFA tem de forçar a sua saída", cita o "The Guardian".

Na verdade, a UEFA pediu esta quarta-feira o adiamento por seis meses das eleições para a presidência da FIFA, marcadas para amanhã, durante o congresso que reúne em Zurique os dirigentes da organização. 

Foi na cidade suíça que seis altos representantes foram detidos (um dos antigos vice-presidentes, Jack Warner, foi detido em Trinidad), no decurso de uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça norte-americano. Mas a lista de suspeitos estende-se a mais dois dirigentes da FIFA e cinco pessoas ligadas a empresas com ligações ao mundo do desporto. Blatter não está nessa lista, garantiu ontem o porta-voz da organização.

O pagamento de subornos ascenderá a mais de 100 milhões de euros nos últimos 24 anos, dinheiro que terá passado por várias contas de bancos norte-americanos.

As autoridades helvéticas, por sua vez, estão a investigar a forma como decorreu o processo de atribuição dos campeonatos do mundo de 2018 e de 2022, à Rússia e ao Qatar.

Coca-Cola, VISA e ministros pedem mudanças
Os principais patrocinadores vieram entretanto pedir que algo mude nas práticas da FIFA. A VISA emitiu um comunicado manifestando o seu "desapontamento e preocupação". E ameaçou pôr fim ao seu patrocínio se a direção não atuar baseada em "princípios éticos sólidos". 

A Coca-Cola afirma que a "controvérsia está a minar a missão e os ideais do campeonato do mundo de futebol" e lembra que tem "repetidamente transmitido as suas preocupações sobre estas acusações graves". Hyundai, Budweiser e Adidas também declararam a sua apreensão. Mais lacónica, a McDonald's diz "estar a acompanhar a situação".

Dos patrocinadores ao mundo político, também vários responsáveis já manifestaram as suas críticas à atual presidência da FIFA. Foi o caso dos ministros dos Negócios Estrangeiros francês e britânico.

"Digo isto a título pessoal, mas penso que faria sentido adiar as eleições", declarou Laurent Fabius à rádio francesa France Inter.

Já o Presidente russo, Vladimir Putin, criticou as detenções, considerando que se trata de uma manobra dos Estados Unidos para o tirar o dirigente suíço da presidência do organismo.