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Crianças desaparecidas. Risco acrescido para os meninos migrantes

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Para Dulce Rocha, vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, "seria importante relacionar a questão das crianças desaparecidas e exploradas sexualmente com as situações de tráfico", e não esquecer o que se está a passar no Mediterrâneo

CARL OSMOND / EPA

Esta segunda-feira é o dia da Criança Desaparecida. O número telefónico 116000, que funciona em 29 países da União Europeia, recebe agora o triplo das chamadas feitas em 2012.

As "crianças migrantes não acompanhadas continuam a desaparecer dos centros de acolhimento em diferentes Estados-membros da União Europeia e raramente encontram o caminho para os serviços de apoio, correndo sérios riscos de ser vítimas de exploração por redes criminosas sem escrúpulos". Quem o diz é Maud de Boer-Buquicchio, presidente da Missing Children Europe e relatora especial das Nações Unidas sobre a venda de crianças, prostituição infantil e pornografia infantil, que alerta também para os riscos que correm "as crianças que fogem dos abusos nas suas próprias casas".

Esta segunda-feira é o Dia Internacional da Criança Desparecida. A Missing Children Europe (MCE), que funciona como uma rede europeia de crianças desaparecidas, registou mais 21% de casos de menores desaparecidos em 2014 do que no ano anterior e um aumento de 200% no número de chamadas recebidas desde 2012 para o número 116000, a linha telefónica única que funciona em 29 países da União Europeia. 

Em Portugal, registaram-se menos casos de menores desparecidos em 2014 do que no que ano anterior. O Instituto de Apoio à Criança (IAC), organização que criou a Linha SOS Criança, diz à agência Lusa que "sinalizou 42 novos casos de crianças desaparecidas em 2014" e  60 em 213. Destas, a grande maioria são menores que fogem de instituições (24 casos em 2014). Segue-se o rapto efetuado por um dos progenitores, que acontece normalmente em casos de separação conflituosa.

Para assinalar este dia que não é uma celebração, mas uma chamada de atenção, o IAC organiza a "Conferência Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente". A magistrada Dulce Rocha, vice-presidente da instituição, diz à Lusa  que"seria importante relacionar a questão das crianças desaparecidas e exploradas sexualmente com as situações de tráfico", e não esquecer o que se está a passar no Mediterrâneo.