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Medina garante que a PSP “nunca se mostrou contra os festejos no Marquês”

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Nuno Botelho

Presidente da Câmara de Lisboa exige ainda que o Ministério da Administração Interna torne públicas informações sobre o que motivou os acontecimentos.

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou ao início da tarde desta sexta-feira que a Polícia de Segurança Pública (PSP) "nunca se mostrou contra a festa" no Marquês de Pombal por parte dos benfiquistas, no domingo, na sequência da conquista do bicampeonato. 

"A PSP não se pronunciou contra os festejos", disse o presidente da Câmara, sublinhando que a Polícia "não desaconselhou festejos ao ar livre, nem pediu, nem sugeriu, o fecho de uma parte da cidade".

Fernando Medina começou por explicar que, antes dos festejos, se realizaram "sete reuniões preparatórias", duas das quais no terreno,  entre a PSP, a Câmara de Lisboa e o Benfica, com o objetivo de preparar o evento. 

Nesses encontros, o presidente da Câmara de Lisboa disse que “a PSP nunca se mostrou contra a festa” no Marquês, considerando como "falsas" afirmações em contrário. 

Objeções da PSP foram atendidas
O autarca esclareceu que a PSP apenas transmitiu à Câmara e ao clube o "seu parecer negativo relativo a dois aspetos muito específicos: a colocação de quiosques de venda de bebidas" e o "posicionamento e forma do palco". Preocupações que, segundo Medina, o município salvaguardou, tendo garantido que os "todos os requisitos" apresentados pela PSP "foram integralmente cumpridos". 

O presidente da Câmara - que na conversa com os jornalistas estava ladeado pelo vereador da Segurança, Carlos Castro, e pelos comandantes da Polícia Municipal, dos Sapadores Bombeiros e da Proteção Civil Municipal - citou em defesa da câmara uma nota ontem emitida pelo Diretor Nacional da PSP. Nela, o comandante da força policial afirma "não se poder estabelecer um nexo de causalidade direto entre os distúrbios ocorridos" e "o quadro de medidas organizativas e de segurança, planeado e implementado para este evento em concreto".

De resto, o autarca iniciou a sua intervenção perante os jornalistas (convocada já muito perto da meia noite de ontem e iniciada com quase uma hora de atraso) insurgindo-se contra versões dos acontecimentos baseadas em "fontes não identificadas", para de seguida afirmar que iria fazer uma "reposição da verdade dos factos".

"A Câmara foi vítima de um conjunto de alegações que são falsas, sem relação direta com os distúrbios causados", diria mais tarde o presidente da Câmara.

Governo na mira
No comunicado lido aos jornalistas, e mais tarde no período de perguntas e respostas, Fernando Medina foi muito claro na afirmação de que espera um pedido de explicações do Governo. "Quase uma semana depois dos eventos, não houve por parte do Ministério da Administração Interna (MAI) qualquer informação sobre as diligências tidas quanto à identificação e responsabilização dos causadores dos incidentes."

Medina confirmou já ter falado com a ministra, "reforçando a necessidade desse esclarecimento". 

O presidente da Câmara disse ainda que os acontecimentos no Marquês de Pombal foram o resultado dos "atos inqualificáveis" e "desviantes" de um "conjunto de pessoas, agindo de forma marginal". Quis no entanto, e por diversas vezes, traçar uma linha divisória: "Nem tudo no futebol é um bando de desordeiros. Temos de dar espaço às centenas de milhares de famílias que se querem manifestar e celebra em liberdade".

Mais dois festejos no horizonte
Na sexta-feira da próxima semana, dia 29 de maio, e no domingo seguinte, dia 31, Benfica e Sporting, respetivamente, disputam duas finais (taças da Liga e de Portugal).

Questionado se a Câmara já recebeu solicitações desses clubes para uma pré-reserva do Marquês de Pombal, o presidente da Câmara disse que "ainda não chegaram pedidos, mas há diálogo com os dois clubes".

Em relação ao futuro, adiantou: "Vamos avaliar o que pode se rmelhorado. Vamos fazer isso em colaboração com a PSP".

Em vários momentos da conferência de imprensa, Fernando Medina foi muito claro no seu entendimento sobre o que deve ser a cidade. "As pessoas têm o direito de celebrar em liberdade e em segurança". Salientando que se trata de "um espaço público", Medina afirmou que "haverá sempre festejos no Marquês de Pombal, a não ser que seja decretada uma medida de exceção, por parte da polícia ou do Governo."

Num campeonato onde jogam valores como a liberdade,  a segurança, o direito à manifestação, mas também no qual já entrou em campo a violência, o Presidente da Câmara de Lisboa foi hoje claro na escolha da sua equipa: "Quando o Estado se conformar de que não temos condições de segurança, então já não teremos Estado".

Na próxima segunda-feira, dirigentes e atletas do Benfica serão recebidos nos Paços do Concelho, como acontece sempre que um clube de Lisboa ganha um título. Na mesma varanda em que foi proclamada a República, os jogadores irão mostrar a taça aos adeptos. Na sexta-feira, dia 29, em caso de uma vitória do Benfica ante o Marítimo, na final da Taça da Liga, e no domingo, dia 31, caso o Sporting vença o Braga na final da Taça de Portugal, os festejos do futebol podem voltar às ruas de Lisboa.

Depois destas duas jornadas, caso venham a ser realizadas, saber-se-á melhor o resultado do campeonato iniciado na noite de domingo passado.

[título corrigido às 14h14; notícia atualizada às 16h24]