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Investigação ao homicídio de adolescente em Salvaterra de Magos “está longe de estar fechada”

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Um dos pontos que a PJ quer apurar é se Daniel terá tido cúmplices na morte de Filipe – ou, pelo menos, no seu encobrimento

José Carlos Carvalho

Polícia Judiciária já ouviu melhor amiga de Daniel Neves, suspeito de ter morto Filipe Costa Coelho, de 14 anos. Diligências vão continuar.

Apesar de Daniel Neves, um jovem de 17 anos de Salvaterra de Magos, ter confessado na quinta-feira da semana passada à Polícia Judiciária ser o autor do homicídio de Filipe Costa Coelho, de 14 anos, os inspetores vão continuar com a investigação. 

“O caso está longe de estar fechado”, diz ao Expresso uma fonte da PJ. “Há muita gente ainda para ouvir e vai ser preciso cruzar os resultados de todas as perícias, que ainda não temos connosco e que são importantes para entender o que de facto aconteceu. As coisas podem não ser tão simples como parecem.”

Um dos pontos que a PJ quer apurar é se Daniel terá tido cúmplices na morte de Filipe – ou, pelo menos, no seu encobrimento. A vítima foi assassinada num apartamento localizado no quarto piso de um prédio no centro de Salvaterra de Magos, no Ribatejo, a 60 quilómetros de Lisboa. Mas, depois de morto, Filipe foi levado do quarto piso para o andar de cima, onde acabou por ser encontrado pela polícia, dentro de uma arrecadação. O facto de o suspeito ser mais leve e mais baixo do que a vítima mantém em aberto essa linha de investigação, de que terá tido a ajuda de alguém, já que Daniel teria aparentemente muitas dificuldades em transportar o corpo sozinho.

Detido na quinta-feira à tarde em Salvaterra de Magos, três dias depois do homicídio de Filipe, o suspeito do crime acabou por remeter-se ao silêncio quando foi interrogado por um juiz e pelo Ministério Público no Tribunal de Santarém. O que significa que a confissão feita perante os inspetores não pode ser considerada válida como elemento de prova de acusação para o inquérito-crime em curso. Mas mesmo sem obter qualquer declaração de Daniel, o juiz de instrução decidiu aplicar-lhe a medida de coação mais grave e o suspeito foi enviado para o estabelecimento prisional de Leiria, onde vai aguardar em prisão preventiva pelo desfecho da investigação.

A Polícia Judiciária já inquiriu, entretanto, no início desta semana, a melhor amiga de Daniel, que acompanhou o suspeito e a vítima ao longos dos últimos dias de vida de Filipe, até poucas horas antes do homicídio ter acontecido. 

Em declarações feitas ao Expresso na sexta-feira, Carla contou que na tarde desse dia, 11 de maio, estava com Daniel quando leu um SMS que o amigo recebeu de Filipe. A mensagem, segundo ela, dizia: “Estou com um stresse. Aparece no spot às oito. Não te atrases, por favor”. Foi a última vez que Carla soube da vítima. 

O spot era o apartamento onde o homicídio acabou por ocorrer e que era usado habitualmente e de forma clandestina por Daniel para se encontrar com os amigos. A casa tinha sido habitada pelo suspeito e pela mãe há anos e estava desocupada, sem eletricidade e sem água.