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Assalto e captura. História de um milionário saudita roubado por um comando armado

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Os assaltantes obrigaram a parar, num pequeno lanço de autoestrada junto à Porta de la Chapelle (na imagem), a caravana composta por dez carros de luxo que se dirigia para o aeroporto Charles de Gaulle

KENZO TRIBOUILLARD / AFP / GETTY IMAGES

Aconteceu em Paris e suspeitou-se de imediato que os assaltantes dispunham de "inside information". O profissionalismo da operação complicou as investigações, que duraram quase um ano para identificar um grupo suspeito.

Luís M. Faria

O roubo, em agosto do ano passado, deu bastante nas vistas. Oito ou nove homens em dois BMW abordaram a comitiva de um príncipe saudita que ia a caminho de um aeroporto em Paris. Tomaram de assalto o carro da frente e levaram uma quantia estimada em cerca de
250 mil euros, além de documentos confidenciais. Horas mais tarde, libertaram os funcionários que seguiam nesse carro (o príncipe escapou ao assalto porque tinha ido para o aeroporto num carro separado). As três viaturas, carro e BMW, seriam encontradas incendiadas, a 25 quilómetros da capital.

Parece que a polícia francesa teve logo uma indicação da identidade dos assaltantes. Havia poucos grupos capazes de um golpe tão profissional, e claramente executado com base em "inside information". Mas faltavam provas. Ao longo dos meses seguintes, foram sendo observados movimentos financeiros. E só agora a polícia entendeu ter já provas suficientes. Esta terça-feira, as autoridades procederam à detenção de cerca de uma dúzia de pessoas relacionadas com o assalto.

Para muitos gauleses, curiosamente, a notícia não dá alegria. Aquando do assalto, muita gente ficou satisfeita pelo que tinha acontecido a um homem tido por "parasita" e "playboy", cuja existência parece ser inteiramente dedicada a viajar pelo mundo em busca de prazeres. E que havia passado os dois últimos meses antes do assalto a viver numa suite de luxo do Hotel George V, um dos mais caros de Paris. 

O príncipe Abdul Aziz bin Fahd é o filho mais novo do rei Fahd, que governou a Arábia Saudita durante 23 anos. Consta que era o favorito do seu pai. Mas as elevadas expectativas de que assumisse responsabilidades de topo no governo do país acabaram por se dissipar, talvez devido ao seu estilo de vida. Em 2011, foi aliviado dos últimos cargos oficiais que lhe restavam. Desde essa altura, passeia-se pelos lugares a que só têm acesso as pessoas mais ricas. Dinheiro não lhe falta, pois a sua fortuna é estimada em milhares de milhões. Só a sua casa de Kensington vale 100 milhões de libras - foi o preço pelo qual a pôs à venda em 2013, talvez cansado de uma zona onde passam tantos turistas. Nos Estados Unidos, o portefólio do príncipe (incluindo a sua Pyramid House, em Beverly Hills) vale algures entre mil e quatro mil milhões.

Palácios, quintas, etc, não lhe faltam. Quanto a iates - mais precisamente, superiates, entre eles um dos maiores construídos no século XX - tem vários. E de aviões é melhor nem falar. Em suma, mal deve ter sentido a falta daquele quarto de milhão roubado. Mas dinheiro é dinheiro, e um príncipe gosta de sentir que pode andar tranquilo pelo mundo. Deve ter ficado um pouco mais tranquilo terça-feira.