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Expedição histórica. A reconquista do rio Amazonas

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Quase 400 anos depois, o português António Carrelhas cumpre a segunda etapa de uma viagem especial: a recriação do percurso de Pedro Teixeira, o português que tomou posse da Amazónia para a coroa portuguesa, em 1639.

De Tabatinga a Belém, ao longo do rio Amazonas, são cerca de 3500 quilómetros. António Carrelhas sonhou com cada um deles, até conseguir montar a expedição que descreve como a mais recente aventura da sua vida: reproduzir a viagem de Pedro Teixeira, o português que deu a região a conhecer ao mundo, conquistado-a para Portugal, há quase 400 anos.

A primeira etapa está cumprida. O percurso que levou o advogado português, e os restantes expedicionários, de Tabatinga a Manaus foi percorrido entre os dias 15 e 30 de agosto de 2014, começando este domingo a segunda parte da missão.

Desta vez será cumprida a ligação Manaus-Belém, com paragens para ações didáticas que divulgarão o papel histórico de Pedro Teixeira - aliás como aconteceu junto de mais de 25 escolas, no ano passado. 

É um sonho concretizado. A morar no Brasil há 38 anos, e um apaixonado por viajar "desde sempre", António Carrelhas, atualmente com 77 anos, não esconde o seu fascínio pelo desafio e pelo explorador português. 

Em paralelo com a sua vida profissional, sempre que possível, "fui fazendo várias viagens pela Amazónia, muito duras", recorda. A cada uma delas "acabava sempre a pensar o mesmo: 'Se agora é tão difícil, como foi possível há quatro séculos?'" 

António leu muito, pesquisou, e o interesse por este período histórico levou-o a 'tropeçar' nos relatos sobre o desbravador português, "Ele foi pioneiro. O primeiro a subir o rio, em1637, numa expedição com 70 canoas, outros tantos soldados portugueses e mais de mil índios, muitos com as suas famílias", explica. Dois anos depois, na volta de regresso, tomou posse da Amazónia para a coroa portuguesa. "Apesar de grande parte desse território lhes pertencer, por causa do tratado de Tordesilhas, na verdade os espanhóis não lhe ligaram nenhuma", continua António Carrelhas.

Bandeiras desfraldadas a bordo do NAsH Soares de Meirelles, o navio de assistência hospitalar que foi disponibilizado pela armada brasileira para a primeira fase desta segunda etapa da expedição, os sucessores de Pedro Teixeira já navegam pelo Amazonas. A viagem pode ser acompanhada no Facebook, na página "Descida do Amazonas: o Caminho de Pedro Teixeira” e - se tudo correr bem - a chegada ao porto de Belém acontecerá no dia 5 de junho, em clima de festa.