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Portugal recebe mais estudantes de Erasmus do que "exporta"

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Grupo de alunos Erasmus na escadaria do Instituto Superior Técnico

Marcos Borga

A mobilidade juvenil é um fenómeno mundial que, só em 2012 envolveu quatro milhões de jovens

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Cerca de 7500 jovens portugueses participaram em programas de Erasmus entre 2012-2013 (últimos dados disponíveis), mas em contrapartida Portugal foi destino de cerca de 12 mil jovens estudantes.Desde 1987 o programa Erasmus da União Europeia já envolveu três milhões de jovens, sendo que, anualmente, a Comissão gasta mil milhões de euros neste programa.

Os dados foram revelados num painel sobre a mobilidade juvenil abordado na conferência internacional sobre os jovens promovida pela Presidência da República e que hoje termina na Fundação Champalimaud.

Por outro lado, os destinos preferidos pelos portugueses que frequentaram o programa Erasmus+ Juventude em Ação (um outro programa europeu que envolve atividades para além do estudo) no ano passado, foram a Itália, Reino Unido, Roménia, Polónia e Espanha. No conjunto, entre 2007 e 2014, Portugal recebeu jovens oriundos sobretudo de Itália, França, Espanha, Turquia e Alemanha, segundo afirmou Pedro Couto Soares, diretor da Agência Nacional Erasmus+Juventude em Ação.

Os programas compreendidos no âmbito da Juventude em Ação dizem respeito a projetos de voluntariado, de intercâmbio, ou educação não formal, entre outros programas de parcerias. Em Portugal, só no ano passado, houve 608 candidaturas, das quais apenas 210 foram aprovadas. Destas, 47% eram oriundos do interior do país.

Um fenómeno indispensável
A mobilidade juvenil é considerada hoje um dos fenómenos mais importantes a nível mundial, que movimentou só em 2012, quatro milhões de jovens migrantes, segundo dados da UNESCO, citados pelo sociólogo irlandês David Cairns, especialista em mobilidade juvenil a trabalhar no ISCTE e que também interveio na conferência.

A mobilidade juvenil beneficia tanto os jovens como os países, disse o sociólogo, que fez a distinção entre a fuga e a circulação de cérebros. A fuga, afirmou, pode criar problemas para os países, na medida em que os mais talentosos vão embora. Já quanto à circulação - os jovens que saem e depois regressam - são um aspeto positivo e vantajoso, mas a sua gestão constitui um verdadeiro desafio para os governos nacionais.

Para este especialista, se a mobilidade é importante para contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional, do ponto de vista das sociedades é igualmente fundamental porque permite o desenvolvimento económico (se houver a capacidade de atrair talentos com altas qualificações), ao mesmo tempo que ajuda a torná-las mais tolerantes e diversas.