Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Vítima de agressão da Figueira da Foz não quer apoio psicológico

  • 333

O rapaz de 17 anos que aparece no vídeo que se tornou viral justificou a sua passividade durante as agressões: se se mexesse seria pior para ele, afirma.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O estudante de 17 anos da Figueira da Foz agredido no verão passado por vários jovens, e cujo o vídeo de treze minutos foi divulgado terça-feira, não quer ter acompanhamento psicológico. Pelo menos para já. Esta foi uma das revelações que a vítima fez ao diretor da escola Joaquim de Carvalho, onde é aluno.

"Ele mostrou-se calmo e consciente do impacto do vídeo", revela ao Expresso o professor Carlos Santos, que esteve em casa da família na noite de quarta-feira.

O docente perguntou ao estudante se este necessitava de algum tipo de apoio com vista a recuperar de um possível trauma causado pelo vídeo, mas teve uma resposta negativa. "Ele achou que não necessitava de apoio psicológico. Pelo menos neste momento."

Durante a conversa, cujo teor o professor preferiu não divulgar pormenores, o jovem garantiu não ter ideia de quem possa ter divulgado o vídeo nas redes sociais. "Sabia que as agressões estavam a ser filmadas, mas nunca imaginou que viessem a ser divulgadas", adianta Carlos Santos.

No vídeo, surgem duas raparigas a agredir o rapaz, que não se defende das estaladas. Durante a mesma conversa mantida com o diretor da escola, o rapaz justificou que estava a ser coagido pelos outros jovens, que não aparecem em frente à câmara. "Se te mexeres será pior para ti", terão ameaçado.

Carlos Santos garante ao Expresso que a família se encontra mais tranquila. "Já estão a digerir o assunto, depois daquelas horas iniciais muito agitadas a seguir à divulgação do vídeo."

A PSP da Figueira da Foz já identificou oito agressores do jovem. Destes oito, quatro são maiores de 16 anos e serão alvo de procedimento criminal, enquanto os restantes, menores de 16 anos, verão os processos a correr no tribunal de Família e Menores. 

Os agressores maiores de 16 anos estão indiciados dos crimes de sequestro e ofensa à integridade física, entre outros. A principal agressora tem 15 anos, e a outra rapariga e um rapaz que também aparecem como agressores no vídeo já são maiores de 16 anos.

Na terça-feira à noite, na sequência da divulgação do vídeo no Facebook, pelo menos dois progenitores de duas das envolvidas no vídeo deslocaram-se voluntariamente à PSP para denunciar os factos. Os pais e o agredido já estiveram nas instalações da PSP, onde formalizaram o procedimento criminal.

O Ministério Público abriu um inquérito tutelar educativo aos agressores menores de 16 anos no caso ocorrido na Figueira da Foz e, quanto aos maiores de 16 anos, está a investigar as agressões e divulgação das imagens.

A Procuradoria-Geral da República adiantou à agência Lusa que "existe um inquérito tutelar educativo no Ministério Público da Figueira da Foz", quanto aos agressores menores de 16 anos, e que "foi também apresentada no Ministério Público, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) da Comarca de Coimbra, uma participação, relativamente aos maiores de 16 anos, pelas agressões e pela divulgação das imagens, encontrando-se a mesma "em investigação".