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Troço perigoso do Rallye Açores vai ter barreiras reforçadas

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O presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting esteve a verificar localmente o troço da discórdia, e em conjunto com autoridades de segurança local e internacional foi decidido reforçar a segurança em determinadas curvas do trajeto

Jorge Cunha/AIFA

Percurso perigoso de três quilómetros, contestado publicamente por vários pilotos, mantém-se após aprovação de responsáveis de segurança nacionais e internacionais.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Os três quilómetros de traçado na cumeeira do cone vulcânico das Sete Cidades, em S. Miguel, vai manter-se no arranque do percurso da Sata Rallye Açores, após ter sido reavaliado e aprovado esta quarta-feira pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, pela autoridade de segurança da organização local e pelo coordenador do Eurosport Events, Jean-Batiste Ley, promotor da competição. 

O traçado inicial da rali, a disputar de 4 a 6 de junho, pontuável para o Campeonato Europeu - ERC (European Rally Championship), foi contestado esta quarta-feira por oito pilotos, preocupados com a "extrema perigosidade" do percurso de três quilómetros que será corrido a 300 metros de altitude sobre um precipício a pique, na zona da Vista do Rei, sobre lendária Lagoa das Sete Cidades.

Manuel de Mello Breyner, antigo piloto e presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, refere ao Expresso que esteve esta quarta-feira a verificar localmente o troço da discórdia, em conjunto com autoridades de segurança local e internacional, que "aprovaram o trajeto, embora com medidas de segurança reforçada".

Tal como no ano passado, as curvas mais perigosas "vão ter barreiras de proteção de rolos de relva de 800 quilos", o equivalente ao peso de um carro. "O traçado já tinha sido certificado pela FIA, mas face ao receio de alguns pilotos as medidas de proteção vão duplicar", garante o líder federativo, referindo que em vez de 25 fardos gigantes de relva irão agora ser colocados 47.

Questionado sobre se este tipo de barreiras consegue travar um carro desgovernado, Manuel de Mello Breyner diz que "não existem garantias de segurança a 100%" em qualquer tipo de desporto automóvel, mas lembra que, há um ano, no decurso deste percurso, dois concorrentes despistaram-se e que as barreiras de relva travaram o embate.

De fora da 50ª edição do Sata Rallye Açores, prova que no ano passado gerou uma receita superior a 13 milhões de euros, segundo um estudo de impacto económico conduzido pela Universidade do Algarve, ficou a classificativa Inside Volcano. O troço iria decorrer nas margens da Lagoa das Sete Cidades, percurso que não foi autorizado pelo Governo Regional dos Açores por estar em causa uma zona de paisagem protegida.

Vítor Fraga, secretário regional do Turismo e Transportes, referiu esta terça-feira, durante a apresentação da prova, que o Sata Rallye Açores continua a ser um dos eventos de maior promoção do arquipélago.