Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Agentes da PSP trocam passes por dinheiro. "Não há fraude nenhuma"

  • 333

Um dos principais sindicatos da PSP considera que não existe qualquer tipo de ilegalidade no alegado esquema nos transportes públicos do sul do Tejo.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado de Polícia da PSP, não considera que haja "fraude" nem "ilegalidade" na troca de passes dos Transportes Sul do Tejo (TST) por dinheiro, prática que estará a ser adotada por alguns polícias. "Os agentes da PSP têm direito ao transporte gratuito de casa para o trabalho. Podem ir de transporte públicos ou de carro. Isto não é esquema nenhum, já que o Estado não é lesado em nada nesta troca de passes por dinheiro", defende.

De acordo com o “Público”, alguns agentes da Margem Sul terão trocado requisições de títulos de transporte por dinheiro nas bilheteiras dos TST. O jornal descreve o procedimento típico: um agente desloca-se à bilheteira, apresenta o documento, em troca recebe um punhado de notas: 89 euros, menos 20 que o valor do passe. Será essa a comissão paga ao funcionário da bilheteira.

Para Peixoto Rodrigues, que disse desconhecer o esquema, o Ministério da Administração Interna devia seguir o exemplo de algumas instituições públicas, que preferem depositar o valor mensal do passe nas contas bancárias dos funcionários, em vez de oferecer o passe. "Devia ser dado o dinheiro para o transporte. Depois, cabia a cada um decidir se prefere ir de transporte público ou na sua viatura."

Sobre o facto de haver uma comissão para os funcionários dos TST nesta troca de passes por dinheiro, o dirigente é taxativo: "Uma coisa é a legalidade, a outra é a moralidade".

Em declarações à "Renascença", o porta-voz da Direcção Nacional da PSP diz que, a confirmar-se, trata-se de um ilícito grave com eventuais consequências disciplinares. “Temos que fazer aquilo que somos obrigados a fazer perante as credíveis denúncias da existência de um esquema de fraude. Começámos a investigar o caso nas últimas horas. Se se confirmar a suspeita de que existem elementos policiais envolvidos neste esquema com o operador, certamente haverá consequências disciplinares, criminais ou outras que possam daí advir”, afirmou o subintendente Paulo Flor.