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Abuso de crianças em família de acolhimento só foi "sinalizado" ao fim de nove anos

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Dois homens, pai e filho, foram detidos em Celorico de Basto pela alegada prática de "inúmeros" crimes de abuso sexual de duas irmãs que tinham sido entregues à guarda daquela família.

Os alegados abusos sexuais de duas crianças no seio de uma família de acolhimento em Celorico de Basto, que segundo a Polícia Judiciária terão começado há nove anos, só foram sinalizados em abril de 2014, informou esta quinta-feira a Segurança Social.

Em resposta escrita enviada à Lusa, o Instituto da Segurança Social (ISS) refere que, após ter sido sinalizada, a situação foi "de imediato" participada ao Ministério Público. Acrescenta que o contrato com aquela família de acolhimento "foi também de imediato cessado".

As duas vítimas foram "imediatamente" encaminhadas para instituição, estando desde essa data a serem-lhes prestados "todo o apoio e acompanhamento necessário". Por responder ficaram questões relacionadas com os critérios e o modo de escolha das famílias de acolhimento e com o tipo de acompanhamento que é feito após a criança ser confiada a uma família. 

Segundo um comunicado emitido na quarta-feira pela PJ, dois homens, pai e filho, foram detidos em Celorico de Basto pela alegada prática de "inúmeros" crimes de abuso sexual de duas irmãs que tinham sido entregues à guarda daquela família. Os detidos já foram submetidos a primeiro interrogatório judicial, tendo o tribunal decidido que ficarão a aguardar julgamento em liberdade.

Foram-lhes aplicadas as medidas de coação de apresentações bissemanais na polícia, proibição de se ausentarem do concelho onde residem e proibição de contactarem as vítimas. "Os suspeitos, pai e filho, de 59 e 35 anos de idade, estão indiciados pela prática, de forma reiterada, de inúmeros crimes de abuso sexual de crianças e abuso sexual de menores dependentes, dos quais foram vítimas duas menores, entregues à guarda do primeiro", refere o comunicado.

Acrescenta que os abusos terão começado quando as vítimas tinham 9 e 11 anos e se terão prolongado até aos 18 e 15 anos de idade, respetivamente. A investigação vai continuar, nomeadamente para apurar se a mulher do arguido mais velho, madrinha de uma das crianças, sabia dos abusos. Em caso afirmativo, também ela poderá ser constituída arguida.

Os abusos terão sido denunciados pela rapariga mais velha, após completar 18 anos.

Até então, e segundo fonte policial, as vítimas terão escondido os abusos, alegadamente por medo de sofrerem represálias. Uma família de acolhimento recebe da Segurança Social 330 euros por cada criança.