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Pilotos contra troço perigoso no Rallye Açores

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Líder da organização da prova responde que quem tem medo "é melhor não participar".

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Um percurso de três quilómetros no troço inicial das Sete Cidades do Rallye Açores está a ser contestado por vários pilotos da prova, preocupados com a falta de segurança numa passagem a 300 metros de altitude sobre a mais mítica lagoa azul e verde, em S. Miguel.

Paulo Babo, um dos oito pilotos que esta quarta-feira subscrevem um anúncio publicado no "Diário de Notícias", afirma ao Expresso que a "extrema perigosidade" de parte do troço das Setes Cidades já é contestada há alguns anos, mas organização nunca se revelou sensível ao problema.

Os pilotos adiantam que as deficitárias condições de segurança ao longo do troço da discórdia já foram "transmitidas a várias entidades", entre as quais a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting e a organização do Rallye Açores, etapa pontuável do Campeonato Europeu - ERC (European Rally Championship).

De acordo com Paulo Babo, o trajeto em causa realiza-se na cumeeira do cone vulcânico da Lagoa das Sete Cidades, "numa estrada a pique sobre um precipício e sem rails de proteção".

"Limitam-se a colocar um rolos de relva para evitar que os pilotos se aproximem da berma e reduzam a velocidade, mas este tipo de barreira não absorve o impacto de uma eventual saída de estrada", refere o piloto, que, tal como os restantes signatários da petição, reivindicam que o troço seja eliminado da prova, a realizar de 4 a 6 de junho.

Crédtios: Jorge Cunha / AIFA

Alexandre Ramos, Carlos Martins, Diogo Salvi, Gil Antunes, João Correia, Luís Mota e Ricardo Teodósico advertem em comunicado que este trecho de três quilómetros já esteve vários anos sem ser utilizado devido às deficientes condições de segurança, que "a qualquer momento podem motivar uma fatalidade".

Paulo Babo acredita que a retirada do troço da prova em nada irá prejudicar "um dos mas espetaculares ralis do mundo", percorrido num cenário de rara beleza. "Mas a beleza cénica, sem dúvida inegável desses três quilómetros, não pode sobrepor-se à segurança de pilotos e espectadores, um valor defendido pela FIA", acrescenta Babo.

A pressão de patrocinadores e a importância da prova na promoção do turismo dos Açores são duas das possíveis explicações apontadas pelo piloto para a "teimosia" dos organizadores em manter o trajeto.

Expresso tentou contactar Francisco Coelho, presidente da Comissão Organizadora do Rallye Açores, que através da assessoria de imprensa do evento informou estar o trajeto "devidamente validado" pelas autoridades nacionais e internacionais.

Em declarações à Lusa, Francisco Coelho minimizou o alerta de alguns pilotos e defendeu que "o melhor é não participarem".

"Esses pilotos que estão com esse receio e que têm esse problema emocional e psicológico é melhor não virem ao rali dos Açores. O pior que pode acontecer é uma pessoa partir para uma prova com a predisposição de que vai ter um acidente", concluiu.