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"Eram assuntos de namoro." Professor do aluno agredido revela que a mãe conhecia o caso há um ano

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Vídeo de treze minutos que mostra agressões a um jovem de 17 anos da Figueira da Foz tornou-se viral. A vítima, agredida há um ano, já tinha contado o caso à mãe. O direito de queixa pode já ter caducado.

O jovem de 17 anos agredido por pelo menos duas raparigas, e cujo vídeo se tornou viral nas redes sociais, tinha contado o caso à mãe logo depois dos acontecimentos que ocorreram no último verão. Mas a família considerou o assunto arrumado e nunca mais falaram nisso, apurou o Expresso

"As agressões estão relacionadas com assuntos de namoros", revela Carlos Santos, diretor da Escola Dr. Joaquim de Carvalho. O rapaz agredido é aluno daquela instituição, mas o vídeo foi filmado fora do recinto escolar. Já as agressoras não pertencem à escola.

A mãe do jovem apresentou queixa esta quarta-feira de manhã na esquadra da PSP da Figueira da Foz e o caso seguiu para o Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra. 

Se o crime for considerado ofensa à integridade simples, o prazo para apresentar queixa era de seis meses e portanto pode já estar caducado. No entanto, a lei prevê que no caso de uma agressão causada por mais de duas pessoas o crime é considerado qualificado e portanto não depende de queixa. 

O vídeo das agressões, que tem treze minutos de duração, foi colocado nas redes sociais quase um ano depois dos acontecimentos. "Estou chocado. É de uma grande violência. Não consigo perceber qual a razão porque alguém decidiu colocá-lo na Internet em vez de fazer queixa às autoridades", diz Carlos Santos. 

Este responsável falou de manhã com a mãe do aluno, que está no último ano de um curso profissional. "Ela está de rastos", resume. Logo à noite Carlos Santos irá falar também com o jovem, para lhe demonstrar solidariedade. 

O aluno nunca mudou o comportamento na escola depois das agressões. "Manteve a mesma atitude: educado e estudioso. Nada de diferente foi notado pelos professores", acrescenta. 
Em comunicado, a PSP esclarece que na sequência da publicação de um vídeo onde eram visualizadas agressões por parte de várias jovens do sexo feminino a um jovem do sexo masculino, "estão a ser feitas diligências investigatórias por parte da PSP, da Figueira da Foz e em coordenação com o Ministério Publico". 

A polícia pôde já averiguar que os factos terão ocorrido durante o verão passado, nas férias escolares. "Alguns dos intervenientes são da Figueira da Foz e são já conhecidas algumas identificações dos mesmos, bem como foi hoje formalizado o procedimento criminal por parte da vítima, a qual se deslocou pessoalmente às instalações policiais para o efeito e confirmou o momento e circunstâncias do ocorrido", adianta a PSP.

De acordo com o relatório da Unicef "Hidden in Plain Sight" ("Escondido à vista de todos"), publicado no ano passado em resultado da compilação de dados sobre a violência contra crianças em 190 países, um em cada três adolescentes entre os 13 e os 15 anos é vítima regular de bullying nas escolas.