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Será que a economia portuguesa está a crescer? Resposta será dada hoje

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Marcos Borga

Economistas apontam para uma expansão da economia portuguesa de 2% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. É preciso recuar ao segundo trimestre de 2010 para encontrar um valor mais elevado.

A acelerar. É este o retrato da economia portuguesa traçado pelas previsões de várias instituições para o crescimento no primeiro trimestre do ano. A primeira estimativa oficial só será revelada esta qyuarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística, mas a média das projeções da Universidade Católica, do BPI, do Novo Banco, do Santander Totta e do Millennium BCP aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% em termos homólogos (ou seja, em relação ao mesmo período do ano passado) e de 0,9% em cadeia (isto é, em relação ao trimestre anterior).

São números que já não eram vistos na economia portuguesa há alguns anos. Para encontrar um crescimento homólogo superior é preciso recuar ao segundo trimestre de 2010, no segundo governo de José Sócrates e quase um ano antes do pedido de resgate internacional. Nessa altura, no cômputo do ano, a economia lusa cresceu 1,9%.

Quanto ao crescimento em cadeia, este será, a confirmar-se, o valor mais alto desde o último trimestre de 2013, quando o PIB aumentou 1% face aos três meses anteriores, numa altura já de recuperação face ao período mais negro do ajustamento.

Recuperação consolida-se
“A economia portuguesa está agora numa fase clara de recuperação”, considera o Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa da Universidade Católica. “A recuperação parece estar a consolidar-se”, aponta, por sua vez, José Maria Brandão de Brito, economista-chefe do Millennium BCP, destacando que para esta evolução contribui “uma recuperação estrutural”, mas, também, “factores extraordinários conjunturais”. Com destaque para queda do preço do petróleo na segunda metade do ano passado, “que teve um impacto significativo no primeiro trimestre deste ano, reduzindo a fatura energética de empresas e famílias, o que constituiu um estímulo ao consumo e ao investimento”.

Outros factores conjunturais que contribuíram para o dinamismo da economia portuguesa no primeiro trimestre foram a queda das taxas de juro, reduzindo a fatura financeira de famílias, empresas e Estado e ajudando à expansão do consumo e do investimento; a depreciação do euro, estimulando as exportações; as políticas orçamentais menos restritivas do que nos últimos anos; e a recuperação da economia europeia. Aqui, Carlos Almeida Andrade, economista-chefe do Novo Banco, destaca Espanha e Reino Unido, economias que estão entre as mais dinâmicas da Europa e “estão ser mercados muito importantes em termos de crescimento das exportações potuguesas”. José Maria Brandão de Brito aponta no mesmo sentido, acrescentando ainda o mercado norte-americano.

Motores do crescimento
Tudo somado, "o consumo privado e as exportações terão sido os principais motores do crescimento no primeiro trimestre”, considera Paula Carvalho, economista-chefe do BPI. E salienta que “há indicadores parcelares com muito bom comportamento, como a produção industrial, do lado da oferta, e a confiança e as vendas a retalho, do lado da procura”.

Rui Constantino, economista-chefe do Santander Totta, na sua nota de conjuntura, junta ainda um terceiro motor: o investimento. Tal como José Maria Brandão de Brito: “Prevemos taxas de crescimento do consumo privado e do investimento robustas e também fortes para as exportações”. E destaca a evolução forte do consumo tanto de bens duradouros como de não duradouros, e o desempenho “muito forte” do turismo.

Confirmando-se os números positivos do primeiro trimestre, é “preciso aguardar pelos próximos trimestres, para validar a sustentabilidade da recuperação”, considera Carlos Almeida Andrade. Até porque há factores de incerteza no horizonte. A começar pela Grécia: “Ninguém sabe exactamente as consequências se alguma coisa correr mal”, remata, com cautela.