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Leandro absolvido depois de 11 meses recluso por abuso sexual de menores

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Advogado reclama programa de apoio para Leandro e para os dois rapazes "embrulhados" numa história triste.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Leandro Monteiro, o rapaz de 17 anos detido em junho de 2014 por suspeita de abuso sexual a duas crianças de seis e 11 anos, seus colegas no Lar de Infância e Juventude da Escola de Artes e Ofícios de Chaves, foi na manhã desta terça-feira absolvido e e libertado de imediato.

Detido em junho de 2014, Leandro passou quase um ano na prisão-escola de Leiria, após ficado duas semanas detido preventivamente numa cadeia para adultos em Chaves. O menor, que num primeiro interrogatório à Polícia Judiciária, sem acompanhamento de familiares ou representante legal, terá confessado os crimes, alegou porteriormente que mentiu devido a pressões.

Leandro completa 18 anos em outubro e segue ainda hoje para o Algarve, onde a mãe, natural de uma aldeia de Chaves, reside há vários anos. Num processo repleto de equívocos e de provas contraditórias, Leandro terá sido uma vítima útil do desespero de duas mães que queriam ter os seus filhos de volta a casa, após terem sido temporariamente institucionalizados no lar tutelado pela Santa Casa da Misericórdia.

Ricardo Sá Fernandes sempre acreditou na inocência de Leandro, desde que a pedido da mãe se ofereceu para defender o menor, em meados de abril deste ano, apenas uma semana antes do início do julgamento à porta fechada, a 24 de abril.

Esta manhã, o advogado afirmou ao Expresso estar feliz com o desenlace mas "extramamente preocupado" com o futuro de Leandro e dos dois rapazes "embrulhados" numa história para esquecer. 

"Tanto o Leandro como os dois rapazes vão ficar marcados para a vida e precisam de saber que há quem se preocupe com eles para poderem ultrapassar este trauma", sustenta Sá Fernandes, que não irá avançar com um pedido de indemnização por danos morais ao Ministério Público, embora vá solicitar um programa de apoio para os três menores.

O advogado diz que Leandro, nascido numa família desestruturada e de parcos recursos, tem muita vontade de fazer uma carreira profissional, um projeto de vida que "não se resolve com uma indemização de 10 ou 15 mil euros".

Para Sá Fernandes, agora o importante é as autoridades perceberem que os três menores precisam de um programa de enquadramento, principalmente Leandro e o outro rapaz de 11 anos, "bastante traumatizado" e ainda institucionalizado no lar. O mais pequeno, que o jurista entende será o que mais facilmente esquecerá os tristes incidentes, estará a viver com a mãe em Espanha.

Sandra, numa reportagem da RTP, contou que foi mãe de Leandro aos 15 anos e que o filho nunca teve uma vida fácil, vítima de maus-tratos na infância por parte do pai. A mãe teve ainda mais três filhos, embora só o mais novo, de quatro anos, resida com ela. Na véspera do início do julgamento, Sá Fernandes afirmou que decidiu patrocinar o caso por ser um processo de contornos "tão dramáticos".