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Último dia de greve. Guerra de números entre a TAP e o sindicato

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José Coelho / Lusa

No último dia de paralisação dos pilotos da TAP, a empresa continua a afirmar que 70% dos voos foram, em média, realizados ao longo dos dez dias de greve. Já o sindicato apresenta outros números: 50% dos voos foram concretizados, mas 85% dos pilotos aderiram à greve.

Décimo dia de greve. A companhia aérea portuguesa lança um número que já não é novo: 70% dos voos da TAP foram concretizados, em média, diariamente. Depois de dez dias de paralisação, marcados por uma guerra de números entre a empresa e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), a TAP volta a reforçar, para segunda-feira, "a normalização de algumas situações resultantes da greve".

Em comunicado, citado pela Lusa, a empresa enaltece "o esforço da maioria dos trabalhadores", que "contribuiu para evitar maiores prejuízos" à companhia. E sublinhou que a TAP está agora "em maiores dificuldades para enfrentar um mercado cada vez mais agressivo".  

O sindicato, por seu lado, diz que os números são outros. "Em termos de balanço, o SPAC apurou que, em média, ao longo destes dez dias de greve, foram cancelados cerca de 50% de todos os voos originalmente planeados e aderiram à greve 85% dos pilotos associados do SPAC", sublinhou também em comunicado. Já num balanço anterior, em conferência de imprensa, o dirigente do SPAC Hélder Santinhos realçou que os custos da greve são na ordem de 30 milhões de euros (e que as exigências feitas pelo sindicato representam 6,5 milhões). 

Recorde-se que a greve de dez dias dos pilotos da TAP foi iniciada por alguns pilotos entenderem que o Governo não está a cumprir com o acordo de dezembro de 2014, nem com o de 1999, que lhes daria direito a uma participação de um máximo de 20% no capital da empresa, em contexto de privatização.  

O Governo e a TAP, diz o sindicato, "pretenderam iludir o SPAC e os pilotos, ratificando um acordo que mais tarde se veio a verificar não garantir a preservação nem o cumprimento dos acordos de empresa (...) na eventualidade da privatização do Grupo TAP". E considera que este processo de privatização "não oferece as necessárias garantias de estabilidade e de continuidade do nível de emprego, condições de trabalhos", entre outras. 

O sindicato sublinha ainda que irá continuar a "desenvolver todas as diligências necessárias e suficientes para congregar forças alargadas que se oponham a este opaco e desastroso processo de privatização".