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Língua portuguesa. O comunicado do ministério que chumbava na avaliação

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No dia em que se ficou a saber que mais de 60% dos candidatos a dar aulas que realizaram a prova específica de Português chumbaram, o comunicado do próprio Ministério da Educação sobre o tema incorre num erro gramatical. É uma falha frequente, mas tem a sua ironia.

"O Ministério da Educação e Ciência tomou uma série de medidas no sentido de garantir que sejam os candidatos melhor preparados a ensinar os nossos alunos", escreve o próprio Ministério em comunicado. A informação enviada aos jornalistas vem a propósito da divulgação, esta sexta-feira, dos resultados da componente específica da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), realizada por 1500 candidatos a dar aulas. 

Se em matéria de princípio nada haverá a apontar, a questão está na expressão “melhor preparados”, um erro gramatical frequente, que tem a sua ironia por vir impresso num documento sobre as provas onde chumbaram 60,4% dos avaliados a Português.

O domínio “do raciocínio lógico e a capacidade de comunicação em língua portuguesa são transversais à lecionação de todas as disciplinas”, lê-se no mesmo comunicado, aliás escrito num português escorreito, não fosse o termo “melhor” refletir o sentido de “mais bom” — o que é errado. Na verdade, a expressão correta é “mais bem”, uma vez que o "mais" é que traduz a noção pretendida de “bem preparado”. 

Quanto aos resultados da PACC propriamente ditos, mais de 60% dos candidatos a dar aulas que realizaram as provas específicas de Português e de Física e Química para o 3.º ciclo e ensino secundário tiveram menos de 50% e chumbaram. De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), nas restantes provas as coisas correram melhor, com a maioria a conseguir nota positiva, embora as médias não sejam particularmente altas.

As taxas de aprovação ficaram-se pelos 36,8% na prova destinada a professores de Física e Química, realizada por 68 candidatos, e a média geral foi de 44,4%. No caso do teste de Português, também para o 3.º ciclo do básico e ensino secundário e realizado por 106 professores, chumbaram 60,4% e a média não foi além dos 46,2%. 

Todos os que reprovaram na componente específica da PACC estão impedidos de concorrer no concurso para o próximo ano letivo. ​