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Fotógrafo brasileiro ao Expresso: "Estamos presos há dois dias na Turquia"

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Turquia prende jornalistas estrangeiros que tentavam entrar ilegalmente no país, vindos de Kobane. Um deles, Gabriel Chaim, conta ao Expresso que estiveram 14 horas sem comer. "Foram horas de terror."

Gabriel Chaim, à esquerda, numa fotografia tirada na prisão de Urfa. À direita, o colega alemão Robin Hirsh

Gabriel Chaim, à esquerda, numa fotografia tirada na prisão de Urfa. À direita, o colega alemão Robin Hirsh

DR

As autoridades turcas detiveram dois jornalistas estrangeiros quando tentavam atravessar de noite a fronteira da Síria para a Turquia, na última terça-feira. Entre eles, o alemão Robin Hirsh e o brasileiro Gabriel Chaim. Na mesma prisão de Urfa, no sul do país, está a escritora norte-americana, apanhada pela polícia no dia 25 de abril. 

Gabriel Chaim, um fotojornalista freelancer que estava a trabalhar para a CNN, acabou de revelar ao Expresso como estão a ser os seus dias no cativeiro. "Tem sido um terror. Ficámos 14 horas sem comer e fomos interrogados brutalmente, sem direito a dormir durante 40 horas", conta o brasileiro através do chat do Facebook. 

Depois de breve pressão da embaixada brasileira, os guardas turcos permitiram que os jornalistas detidos pudessem usar o telemóvel. 

Ainda segundo Gabriel Chaim, só depois do longo interrogatório, feito por militares e pelos serviços secretos turcos, lhes deram algo para comer. "Tivemos de dividir duas bananas entre os três." Só mais tarde lhes foi dado "alguns pedaços de pão", acrescenta. 

Os três foram apanhados por um grupo de soldados turcos que os terão abordado dando tiros para o ar. Um quarto jornalista, de nacionalidade alemã, que também foi detido dia 5, acabou por ser deportado. 

O brasileiro, que já era a quarta vez que tinha ido fazer reportagens na Síria, conta ao Expresso que os jornalistas só conseguem atravessar a fronteira de Kobane "de forma ilegal". Já esteve também no golpe militar no Egito e nos conflitos do Iraque, Irão e Faixa de Gaza. Em Kobane, filmou nos últimos dias a destruição da cidade através de um drone, cujas imagens podem ser vistas no site da CNN.