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Juiz Carlos Alexandre revela tudo, ou quase, sobre a sua vida privada

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Carlos Alexandre foi ouvido no Tribunal da Relação de Lisboa

António Pedro Ferreira

O magistrado foi ouvido no Tribunal da Relação de Lisboa depois de duas denúncias anónimas que chegaram ao Ministério Público. E lança suspeitas sobre organizações secretas.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O juiz Carlos Alexandre decidiu revelar todas as suas fontes de rendimento à procuradora do Tribunal da Relação de Lisboa que investiga um inquérito de violação do segredo de justiça por parte do magistrado.

Segundo o jornal "i" desta manhã, o caso acabou arquivado no fim de março, mas como a denúncia anónima que foi investigada pela Relação levantava suspeitas sobre a sua relação com a Cofina e com o Grupo Espírito Santo, e de que poderia haver corrupção e tráfico de influências a mediar as suas relações, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal fez questão de que não restassem dúvidas sobre a vida económica e patrimonial.

O magistrado revelou que que, em tempos, teve rendimentos mensais de cerca de 10 mil euros. Hoje estão reduzidos a oito mil: recebe cerca de 4 mil euros pelas funções que acumula enquanto juiz, a que soma mais dois mil euros do salário da mulher, funcionária das Finanças, e dois mil euros provenientes de arrendamentos de imóveis e da reforma da sogra, que mora consigo, com a mulher e com os seus dois filhos numa vivenda em Linda-a-Velha, comprada em 2006 através de um empréstimo de 400 mil euros contraído junto da CGD. Com a casa, contou, despende 2000 euros por mês.

Ainda segundo o jornal "i", a casa de Linda-a-Velha não é o único bem que tem em seu nome. Há mais de dez anos investiu num apartamento no Carvoeiro. Novamente através de empréstimo bancário, de 100 mil euros, e da mesma instituição. Todos os meses, pelo menos 600 euros servem para pagar este crédito.

Também o "Público" desta quarta-feira dá destaque ao caso. E revela que quando a procuradora Emília Martins o interrogou sobre quem seriam os autores de uma carta anónima em que o juiz era visado, Carlos Alexandre desvendou, ainda que de forma vaga, as suas suspeitas. O juiz considerou que poderia ser obra de garde à vue [termo francês que significa estar sob vigilância] própria de organizações secretas ou que, na prática, se comportam como tal. Não especificou, no entanto, a que tipo de organizações estaria a referir-se.

O magistrado, que tem lidado com alguns dos casos mais mediáticos da justiça portuguesa, reagia a uma segunda denúncia anónima de que foi alvo, a qual desencadeou um inquérito no Ministério Público junto do Tribunal da Relação de Lisboa entretanto arquivado.

Segundo a carta não assinada, enviada para a Procuradoria-Geral da República e também para os seus serviços distritais de Lisboa, o juiz estaria nas mãos de um jornalista da "Sábado". Este teria descoberto factos comprometedores relacionados com os seus bens pessoais. Para que estes não fossem revelados, o juiz teria passado informação privilegiada sobre alguns processos judiciais.

A carta, com a data de dezembro de 2014, seguiu-se a uma outra denúncia anónima contra o juiz enviada aos mesmos serviços poucas semanas antes. Também esta primeira carta mencionava vários casos de violações do segredo de justiça por parte do magistrado.

Esta segunda denúncia foi feita antes de a primeira ter sido arquivada pelo Ministério Público.