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TAP. Trabalhadores na rua contra a greve dos pilotos

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Luís Barra

A três dias do início da greve, trabalhadores da TAP concentram-se esta quarta-feira junto ao aeroporto de Lisboa para mostrar que estão "em completo desacordo". Também há pilotos preocupados com os efeitos da paralisação.

Em contagem decrescente para a greve de dez dias convocada pelo sindicato dos pilotos, os trabalhadores da TAP concentram-se esta quarta-feira junto ao aeroporto de Lisboa para mostrar que estão "em completo desacordo". Dezenas de pilotos também estiveram reunidos até de madrugada, mas, apesar de alguns se manifestarem "preocupados com a paralisação", ficou tudo na mesma.

Fonte oficial da empresa disse à Lusa que cerca de 3000 voos e 300 mil passageiros poderão ser afetados pela greve de dez dias, que se inicia na sexta-feira, mas que 10% da operação está garantida pelos serviços mínimos, que prevê a realização de voos para Açores, Madeira, Brasil, Angola, Moçambique e sete cidades europeias.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), que convocou a greve, acredita que a adesão será superior a 90%. Preocupados com a paralisação os pilotos pediram esta terça-feira para reunir-se com a direção do SPAC. No final do encontro que juntou cerca de 70 pilotos e que durou quase quatro horas, o dirigente sindical Helder Santinhos informou, já na madrugada de quarta-feira, que "a greve mantém-se" e que "não houve decisões novas".

Questionado sobre a discórdia entre a direção do sindicato e os pilotos, Helder Santinhos preferiu recordar os motivos que levaram à convocação da greve, disse que "a situação está nas mãos do Governo e da TAP" e não respondeu a mais questões, enquanto decorria uma outra reunião, esta apenas da direção do SPAC.

Antes desta reunião, decorreu outra, à tarde, que juntou um grupo de 150 pilotos, liderado por Carlos Leitão, que entre 2000 e 2002, como haveria de lembrar no final do encontro, foi presidente do sindicato. Durante cerca de quatro horas os pilotos debateram a situação num hotel junto ao aeroporto de Lisboa, com o objetivo de encontrar "uma solução conjunta". Estes pilotos admitiram "estar preocupados" e pediram "outra condução do processo", disse Carlos Leitão aos jornalistas, garantindo ainda que alguns dos pilotos estão contra a greve e por isso vão voar.

Esta quarta-feira ao meio-dia, os trabalhadores da TAP concentram-se junto ao aeroporto de Lisboa para mostrar que estão "em completo desacordo" e seguem em marcha silenciosa desde a portaria da sede da companhia até ao terminal dos tripulantes, com passagem pelas chegadas e partidas do aeroporto da Portela.

"É muito importante que o Sindicato dos Pilotos perceba que existem rostos, para além do seu pequeno mundo, que estão em completo desacordo com tamanha insensatez", lê-se no email enviado aos trabalhadores do grupo por Fernando Santos, um trabalhador que tem sido porta-voz dos que criticam a luta do SPAC.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, lançou na terça-feira um apelo à "consciência individual" dos pilotos da TAP e da Portugália, para que decidam se vão aderir ou não à greve.

"Julgo que há informação suficiente para que cada piloto, em consciência, possa tomar essa decisão", considerou o governante, em declarações à Lusa, acrescentando que "se muitos decidirem trabalhar, teremos certamente impacto menor da greve e uma melhor companhia aérea depois deste período de 10 dias".