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TAP. Cisão entre pilotos é "imaginária"

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FOTO JOÃO CARLOS SANTOS

Sindicato afirma que divisão na classe é um "tema é fabricado artificialmente pela TAP e pelo Governo, em desespero de causa, para tentar paralisar os pilotos".

No momento em que se fala de um desentendimento entre os pilotos da TAP em relação à greve agendada para os primeiros 10 dias de maio, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) vem acusar a TAP e o Governo de procurarem "desesperadamente fabricar e fomentar cisões imaginárias no seio dos pilotos", acreditando, aliás, que a adesão vai aumentar nos próximos dias. 

De acordo com o Diário de Notícias / Dinheiro Vivo desta quinta-feira, que cita fonte anónima, cerca de 30% dos pilotos da companhia aérea não encontram fundamento para o protesto aprovado na reunião de dia 15 em defesa de garantias laborais perdidas durante a crise e que muitos estão inclinados a deixar o SPAC para não cumprir o pré-aviso de greve.

Em declarações ao Expresso, Manuel Santos Cardoso, presidente do SPAC, afirma que "a estatística que resulta da amostra significativa dos pilotos, que é a assembleia que deliberou a greve, prova exatamente o contrário". "A compreensão e a adesão dos pilotos a esta greve é de 90% das intenções expressas. Acreditamos que a adesão vai aumentar nos próximos dias e até à realização da greve."

De acordo com os números cedidos pelo SPAC ao Expresso, a TAP tem 985 pilotos, dos quais 786 são sindicalizados. Na assembleia participaram cerca de 500 pilotos e, destes, votaram 420 - 360 a favor, 43 contra e 17 abstiveram-se. E "entre os não sindicalizados acreditamos que iremos ter uma adesão [à greve] a rondar os 60%", estima o presidente do sindicato.

Manuel Santos Cardoso desmente "em absoluto" que cerca de 30% dos pilotos estão contra a greve, considerando a estatística "especulativa". "Trata-se de uma cisão imaginária dos que acreditam erradamente que é possível fraturar os pilotos. Sempre que há conflitos, esse tema é fabricado artificialmente pela TAP e pelo Governo, em desespero de causa, para tentar paralisar os pilotos. Não vai ter sucesso", afirma.

Em comunicado enviado esta quinta-feira às redacções, a direcção do SPAC refere que "a TAP e o Governo procuram desesperadamente fabricar e fomentar cisões imaginárias no seio dos pilotos com o propósito de os demover da defesa dos seus legítimos interesses estratégicos".

Vítor Baeta, coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP, diz ao Expresso que as lutas e os interesses dos sindicatos são para respeitar. "Se os sindicatos marcam as suas lutas é porque têm as suas razões e nós temos de respeitá-las. Em democracia, ganha a maioria e isso tem de ser respeitado". Vítor Baeta adianta ainda que há uma tentativa de "pôr colegas contra colegas, de dividir para reinar e dar mais força ao Governo". 

Apelo humilde

Esta quarta-feira, o ministro da Economia fez "apelo humilde" para que os pilotos recuem na intenção de fazer greve, afirmando que "errar é humano", mas não corrigir o erro "demonstra falta de sensibilidade e de inteligência". "Quero acreditar que muitos pilotos já se aperceberam da irrazoabilidade deste pré-anúncio de greve. Errar é humano, não corrigir o erro demonstra falta de sensibilidade e de inteligência", declarou Pires de Lima, fazendo "um apelo humilde ao sindicato dos pilotos para que reveja a sua posição".

Esta quinta-feira, "os pilotos e o SPAC devolvem ao senhor ministro o pedido humilde para que o Governo e a TAP honrem os compromissos que assumiram". "Os pilotos vão manter a serenidade, esperando que prevaleça o bom senso e a responsabilidade do Governo e da TAP, em nome do interesse nacional que todos têm o dever de defender", refere o comunicado do SPAC.

No início da semana, em entrevista ao "Diário Económico", Manuel dos Santos Cardoso garantiu que em dezembro não ficou nada escrito sobre o acordo de 1999, logo o Governo não pode alegar que os pilotos concordaram em abdicar de uma posição na TAP. O mesmo disse ser válido para a reposição das diuturnidades, que o presidente do SPAC recusa abdicar a favor do accionista. "Esta diminuição iria reverter para o accionista ou para encobrir os erros de gestão e perpetuaria os efeitos da austeridade para os pilotos, mas agora na esfera privada", explicou.

Várias vozes têm apelado à desconvocação da greve que os pilotos agendaram. Ainda esta quinta-feira foi a vez da Confederação Empresarial de Portugal - CIP, que diz que o Governo deve ponderar o uso dos meios legais que tem para assegurar o normal funcionamento da TAP.

O presidente do Turismo de Portugal também já veio dizer que a anunciada greve é um "desrespeito" pelos esforços de todo o sector e pode até pôr em causa os seus resultados, num ano em que os primeiros dados apontam para a continuação de um crescimento forte.

Na próxima segunda-feira, pelas 14h30, oito dos nove sindicatos que em dezembro chegaram a acordo com o Governo e a administração da TAP vão reunir-se para decidir se reagem à greve convocada pelo sindicado dos pilotos, que também assinou o acordo no final do ano.