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O que acontece à TAP com a greve

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FOTO LUÍS BARRA

A não ser que tenha havido uma espécie de milagre de última hora, no momento em que lê esta notícia os pilotos da companhia aérea estão a cumprir uma greve de 10 dias.

Margarida Fúzia

1. Porque querem os pilotos fazer greve?

Os pilotos exigem ter uma participação no capital da empresa, na sequência de um acordo assinado em 1999, e ainda diuturnidades (subsídios de antiguidade) suspensas desde 2011. Argumentam que a sua devolução ficou plasmada no acordo que o Governo assinou com nove sindicatos em dezembro de 2014 e que permitiu o cancelamento da greve de quatro dias entre o Natal e o ano novo. Mas o Executivo e a TAP negam que isto tenha sido acordado. A direção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) garante que esta greve "não tem nada a ver com a privatização" em curso. "O SPAC não está contra a privatização da TAP", mas reconhece que a greve de dez dias terá "impacto na privatização", uma vez que estão em causa "acordos que definem e regulam as relações entre empregador e empregado".  

2. Porque é os pilotos não se entendem?

Não se entendem com o Governo e a TAP, nem se entendem entre eles. O sindicato dos pilotos garante que 90% dos pilotos querem aderir à greve, afirmando que a TAP tem 985 pilotos, dos quais 786 são sindicalizados, e até entre esses "acreditamos que iremos ter uma adesão a rondar os 60%". Mas há pilotos "preocupados com a paralisação", contra o protesto e que vão voar durante a greve. Fernando Pinto, presidente da empresa, garante ter "a certeza de que teremos muitos pilotos que, sensibilizados pelo momento, irão pensar no cliente, no nosso passageiro, na empresa, e irão voar". Pelo menos 150 pilotos.

3. Quantos voos estão assegurados?

O Tribunal Arbitral decidiu que os serviços mínimos para a greve incluem a realização de voos para Açores, Madeira, Brasil, Angola, Moçambique e sete cidades europeias. No total dos dez dias, são 276 as ligações que a companhia irá operar em função destes serviços. Os restantes dependerão da adesão dos pilotos à greve. Para esta sexta-feira, a TAP estima poder vir a cancelar apenas 33 dos cerca de 300 voos diários que operaria. Mas "só quando os pilotos se apresentarem para voar é que conseguiremos definir que voos serão cancelados, começando pelos voos com menor número de passageiros", explicou ao Expresso fonte oficial da TAP. Como esta greve não tem o consenso de todos os trabalhadores, incluindo pilotos, a companhia mantém a expectativa de que a adesão não seja significativa.

4. A empresa está em risco?

Tudo indica que sim. Segundo as previsões da companhia, esta greve poderá ter um custo de €70 milhões, o que penaliza ainda mais uma tesouraria que já não é estável. A empresa precisa de capital para crescer, mas sobretudo para cumprir com as suas responsabilidades financeiras. Porque o grupo tem uma dívida de €1062 milhões, capitais negativos em €512 milhões e porque há receitas que estão retidas na Venezuela. Ou seja, a TAP precisa de capital para sobreviver. A Comissão Europeia não permite que o Estado injete dinheiro na companhia, a não ser que se avance com um processo de reestruturação. O Governo já veio alertar que uma paralisação de dez dias poderá ter um impacto maior no processo de reestruturação pelo qual a TAP terá de passar, podendo levar à saída de entre 30% a 40% dos trabalhadores.