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Caso Sócrates. Vice-presidente do grupo Lena detido

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Os irmãos António (à esquerda) e Joaquim Barroca Rodrigues, respetivamente, presidente e vice-presidente do conselho e administração do Grupo Lena

Ana Baião

Depois de buscas realizadas à sede da empresa, Joaquim Barroca Rodrigues (à direita na foto) foi detido no âmbito da operação que envolve José Sócrates.

Expresso, com Lusa

O vice-presidente do grupo Lena Joaquim Barroca Rodrigues foi detido quarta-feira à noite, no âmbito da Operação Marquês, que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates. A detenção ocorreu após buscas a residências e à sede da empresa, em Quinta da Sardinha (Leiria), em que participaram dois magistrados do DCIAP - um dos quais o procurador do processo, Rosário Teixeira - e o juiz Carlos Alexandre, apoiados pela Autoridade Tributária e pela PSP. Esta quinta-feira à tarde é presente ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, para interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação. 

Joaquim Barroca Rodrigues é um dos administradores do grupo Lena e acionista maioritário, filho do fundador da empresa e irmão do atual presidente, António Barroca Rodrigues. Na última reorganização da Lena, a banca forçou  a criação de uma comissão executiva presidida por um gestor do grupo, Joaquim Paulo Conceição, exterior à família, ligado à área automóvel. 

O nome de Joaquim Barroca surge associado às transferências de vários milhões de euros do grupo Lena de contas pessoais para contas bancárias na Suíça de Carlos Santos Silva, arguido no processo. Como presidente da Lena Construções - cargo que detinha nessa altura, entre 2007 e 2009 - representava a empresa nas viagens ao estrangeiro, revelando grande familiaridade com José Sócrates. Os irmãos Joaquim e António tratavam o então primeiro-ministro por José.  

Um ano antes de ter surgido o negócio do grupo Lena na Venezuela, para a construção de 50 mil casas, Joaquim Barroca Rodrigues convenceu Santos Silva a continuar a preparar propostas e a angariar obras no estrangeiro dentro de uma nova sociedade criada pelo grupo Lena, a LMI. E ofereceu-lhe um lugar como administrador e 20% do capital social da nova empresa. 

"Não temos nada a temer, encaramos a  investigação com perfeita tranquilidade", disse Joaquim Paulo Conceição ao Expresso a 22 de novembro de 2014, menos de 24 horas depois de José Sócrates ter sido detido no aeroporto da Portela. Quadro dias depois, já após as primeiras buscas à sede da Lena, o presidente da comissão executiva afirmou que a empresa está a funcionar como "bode expiatório" , sofrendo com "exagerado aproveitamento" da ligação a Carlos Santos Silva.  "As suspeitas sobre o grupo magoam e são completamente infundadas", disse o presidente da comissão executiva. Esta quinta-feira, o Expresso tentou, sem sucesso, contactar o grupo Lena com objetivo de obter esclarecimentos adicionais.  

No âmbito da Operação Marques, está detido desde novembro do ano passado no Estabelecimento Prisional de Évora o ex-primeiro-ministro José Sócrates, indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O processo tem também como arguidos João Perna, ex-motorista de José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda Castro.

 

[artigo atualizado às 14h44]