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1 de abril, dia da mentira e dos bobos

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A troca das comemorações do Ano Novo de 25 de março para 1 de janeiro está na origem no dia das mentiras. A culpa é dos franceses, que resistiram à mudança ridicularizando a adoção do calendário gregoriano   

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Há muitas explicações para o primeiro dia de abril se ter celebrizado como o Dia das Mentiras, mas a mais consensual coloca em França a origem da data, também conhecida como o Dia dos Bobos.

Reza a história que, até 1564, o Ano Novo era festejado a 25 de março - o atual dia dos bobos ou das candidaturas dos bobos, como a de Henrique Neto, segundo Augusto Santos Silva.  Era o dia do início das festas de primavera, que culminavam com a troca de presentes a 1 de abril, até que o rei Carlos IX trocou a voltas ao ano quando adotou o calendário gregoriano.

Como não há mudança sem resistência. Alguns franceses ridicularizaram o ato real com brincadeiras, presentes estranhos e convites para falsas festividades. Desde então, o dia 1 abril é sinónimo de partidas e mentiras inofensivas a colegas, familiares e amigos, data também aproveitada pelos órgãos de comunicação social para veicular falsas notícias de cariz humorístico ou improváveis.

Este ano, em declarações ao Porto Canal (e não foi em latim), Julen Lopetegui desfez-se em elogios a Ricardo Quaresma, lançando no ar a dúvida se terá antecipado em dois dias o dia das petas ou se sucumbiu mesmo ao talento do jogador chutado no início da época.

Na tradição anglo-saxónica, o primeiro dia de abril é batizado de April Fools Day, e jornalistas ingleses brincam mesmo em serviço nesta data. Em 2011, o diário britânico "The Independent" anunciou que Portugal havia vendido Cristiano Ronaldo a Espanha por 160 milhões de euros, notícia quase tão incoerente como a apregoada pelos jornais nortenhos da saída de Eusébio para o FC Porto nos idos de 60.

Mentiras que fizeram história 

Entre as mais famosas mentiras, resistiram à passagem do tempo a peça da BBC de 1957 sobre uma árvore que produzia esparguete, na Suíça, ou a do "Daily Mail", em 1981, a informar os leitores que um atleta japonês pensava que tinha de correr 26 dias e não 26 milhas para participar na maratona de Londres.

Em 1998, a Burger King anunciou a oferta de um hambúrguer especial para canhotos, estimando-se que a cadeira de restaurantes "fast food" terá poupado milhões de dólares em publicidade com a partida.

Por cá, o anúncio de autocarros de três pisos, Bin Laden no Algarve e o Centro Cultural de Belém a afundar foram algumas das mentiras publicadas nos jornais que gostam de manter a tradição de 1 de abril. Mas há chacotas que afinal se revelaram realidade, como foi o tema recorrente da criação do Metro do Porto, que deixou de ser ficção no século XXI e que só não avançou mais rápido e mais longe porque o país entrou em bancarrota.