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Socialismo, centralismo e educação sexual

José Paulo de Carvalho, deputado independente
11:30 Segunda feira, 18 de maio de 2009

Uma característica manifesta deste Governo de José Sócrates na área da Educação, é a defesa da ideia do "Estado solução única". Isto é, sempre que o Ministério da Educação decide seguir uma determinada opção, é essa, e apenas essa, que se vai impor a todos.

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Foi assim que se criaram condições para, depois de desenvolvidas as chamadas AEC's (uma ideia positiva), se impor um estrangulamento asfixiante às IPSS que desenvolviam um trabalho extraordinário de proximidade com as famílias e de garantia da liberdade de escolha; foi assim que, sob a pretensa capa da autonomia das escolas, se acabou por impor um modelo estereotipado, que formata escolas em vez de as deixar desenvolver a sua própria forma de organização; é esta mesma visão de "Estado solução única" e formatador, que criou a actual versão do Estatuto do Aluno, que inclui dezenas de pequenas regras que deveriam era ser deixadas para o regulamento interno de cada escola em vez de constarem de uma lei.

Esta visão do Estado que se quer impor à sociedade tem a sua mais recente manifestação no Projecto de Lei do PS que visa impor a educação sexual nas escolas.

Se há matéria que pode interferir com áreas sensíveis do desenvolvimento e do comportamento pessoal, seja numa perspectiva estritamente individual, seja numa perspectiva familiar e comunitária, é a educação sexual. O que está em causa na educação sexual que agora se pretende impor, não é a sua vertente científica ou biológica. Isso já é ensinado hoje em dia e nem é discutível. O problema é que agora - e essa é a novidade modernista! - se pretende abranger também conteúdos que interferem directamente com a função educativa principal da família em matérias essenciais e que esta só delega se quiser e em quem quiser! E este direito das famílias é inalienável. É matéria que considero intocável.

Não há ninguém que, numa abordagem intelectualmente séria, possa negar que a sexualidade é uma vertente do desenvolvimento e do comportamento humano que concentra em si, além de questões de ordem estritamente biológica e fisiológica, influências de ordem cultural, moral, religiosa ou familiar. E a educação sexual que o PS - e este Governo de Sócrates - nos pretende impor, assume que quer "entrar" por estas áreas, mas impondo, sem direito de opção individual, a sua visão sobre o assunto.

Considero que neste, como em muitos outros casos, o Estado está a querer substituir-se abusivamente às famílias, não lhes dando sequer liberdade de escolha!

E para que isto fique bem claro, além desta abusiva imposição, não é assegurada aos pais qualquer capacidade real e efectiva, de participação decisiva no processo de definição do projecto da educação sexual em cada turma. As menções que o projecto de lei faz quanto à participação dos pais na educação sexual são pura retórica: desafio qualquer um a descobrir no projecto de lei do PS um momento em que a participação dos pais possa ser considerada como relevante e determinante.

Para cúmulo, propor que nas escolas, sem qualquer aconselhamento médico, sejam distribuídas pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte ou preservativos, parece-me uma inconsciência de quem se julga o supra-sumo da modernidade e, por isso, não se importa de fazer experiências à custa dos filhos dos outros! 

Se o PS persistir na intenção de impor a educação sexual nas escolas retirando aos pais o direito a dar o seu consentimento, cometerá um erro só reparável com a revogação da lei...

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Nada mais errado
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:52 | Segunda feira, 18 de maio de 2009

As famílias continuam a ter a possibilidade, o poder e a capacidade de educar os seus filhos em matéria de sexualidade.

José Paulo de Carvalho quer manter o direito das famílias transmitirem as suas ignorâncias, os seus preconceitos, os seus estereótipos e as suas atitudes discriminatórias em matéria de sexualidade.

Julga que a educação sexual se deve remeter, cientificamente, à área da Biologia, deixando de lado a educação das afectividades e a compreensão sobre a diversidade da sexualidade humana.

É função da Escola transmitir o conhecimento científico adquirido e consolidado no que diz respeito à sexualidade humana e não apenas nas áreas "funcionais", só porque isso interessa a certos sectores conservadores e retrógrados que ainda olham para a sexualidade humana como algo que pertence mais ao domínio da Moral do que da Ciência. As duas vertentes são fundamentais mas não pode ser apenas a família a dominar determinadas esferas do saber.

Para colocar o bolo em cima da cereja, só faltou ao deputado José Paulo de Carvalho sugerir, tal como muitos fazem em certos Estados dos EUA, que a Escola deve evitar ensinar a Teoria da Evolução porque os pais têm a prerrogativa de ensinar em casa a tese criacionista.

A Ciência assusta, senhor deputado?
 
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    Re: Nada mais errado    Ver comentário
AM(Lx) (seguir utilizador), 1 ponto , 16:24 | Quarta feira, 20 de maio de 2009
Educação Sexual na escola
topirocha (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
Se analisarmos a 'coisa' pelo lado puramente científico, é um facto de que, conforme é explicado como funcionam p. ex., o aparelho circulatório, também deve ser explicado, como funcionam os aparelhos reprodutores, numa lógica de deixar de lado (o que deve ser um pouco inibidor devido à formação adquirida), a prejorativa designação de 'pornográfia'. No fundo é uma função como a de respirar ou outra qualquer do nosso organismo.
 
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O que é que o preocupa senhor Deputado ?
socrates_lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:26 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
"Se o PS persistir na intenção de impor a educação sexual nas escolas retirando aos pais o direito a dar o seu consentimento, cometerá um erro ..."
Oh senhor Deputado independente:Não consegue melhor argumento para defender a sua dama religiosa ?
O que é que o preocupa ? Que a educação e a divulgação cientifica colida com os seus devaneios religioso-medievais ?
 
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Será medo, raiva, traumas?!
Pedro Machado (seguir utilizador), 1 ponto , 16:05 | Segunda feira, 18 de maio de 2009

Não percebo a falta de capacidade de algumas pessoas para discutirem este tipo de assuntos. Simplesmente não conseguem é o que me parece. Ficam extramamente nervosas e partem de imediato para a calunia. Estava com esperança de ver alguns contra-argumentos razoaveis mas tudo o que vejo são ataques pessoais.

só uma pequena nota para o Dr Paulo Pedroso: cada um sabe a família que tem, e se o sr acha que a família é veiculo de transmissão de ignorâncias, preconceitos e atitudes descriminatórias então tenho realmente muita pena.

 
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    Re: Será medo, raiva, traumas?!    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 18:22 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
    Re: Será medo, raiva, traumas?!    Ver comentário
Pedro Machado (seguir utilizador), 1 ponto , 22:15 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
    Re: Será medo, raiva, traumas?!    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 0:05 | Terça feira, 19 de maio de 2009
    Re: Será medo, raiva, traumas?!    Ver comentário
Pedro Machado (seguir utilizador), 1 ponto , 16:35 | Terça feira, 19 de maio de 2009
    Re: Será medo, raiva, traumas?!    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 20:53 | Terça feira, 19 de maio de 2009
As minhas opiniões
Nuno Carrasqueira (seguir utilizador), 1 ponto , 18:53 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
http://dedosemriste.blogs...
 
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Conservadorismo parolo....
doctorcj (seguir utilizador), 1 ponto , 18:53 | Segunda feira, 18 de maio de 2009
Diz o senhor deputado e passo a citar :"Para cúmulo, propor que nas escolas, sem qualquer aconselhamento médico, sejam distribuídas pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte ou preservativos, parece-me uma inconsciência de quem se julga o supra-sumo da modernidade e, por isso, não se importa de fazer experiências à custa dos filhos dos outros!" Pois senhor deputado, será mais conveniente e talvez mais "saudável" que o HIV possa ser transmitido livtrmente ou que os casos de gravidez precoce se multipliquem? Porque acha que os jovens não têm actividade sexual? Pensa que, pelo facto das familias poderem dizer que sexo só depois do casamento eles acatam essa sugestão?Mas em que mundo o senhor vive? Ou será que ainda temos de dizer às criancinhas que os bebés vêm de Paris presos num bico de uma cegonha? São estes os modelos reclamados para as opções familiares? Qual o receio deste tema ser abordado nas escolas? Mas não é importante fazê-lo sob o ponto de vista desenvolvimental e educacional? Poder-se-á questionar o modelo, de acordo, sendo a opção de modelo independente semelhante ao norte da europa uma das mais interessantes. Daí a pretender evoluir na continuidade, isto é, discussões estéries, inconcluisivas e permanentemente adiadas na sua essencia levam à intolrtancia e a reclamarem que alguém pretende impor alguma coisa, quando, no fundo, assentam as suas convicções num conservadorismo arcaico e, por vezes, parolo.

 
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E assim se mete a cabeça debaixo da areia...
o advogado do diabo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:03 | Terça feira, 19 de maio de 2009
"Para cúmulo, propor que nas escolas, sem qualquer aconselhamento médico, sejam distribuídas pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte ou preservativos, parece-me uma inconsciência de quem se julga o supra-sumo da modernidade e, por isso, não se importa de fazer experiências à custa dos filhos dos outros!"

Só uma notícia de última hora: As crianças estão na altura do seu desenvolvimento sexual. Elas vão iniciar a vida sexual às claras ou às escondidas, com ou sem informação. Isto não é uma projecção, é uma constatação, um facto. E muitas famílias são muito conservadoras para falarem nestes assuntos em tempo útil, na ilusão que os filhos são assexuados até à idade adulta.
E sendo assim, é preferível actuar educando, distribuindo preservativos, pílulas, fazendo consultas de planeamento familiar nas escolas. Não é enfiando a cabeça na areia que as coisas se resolvem, ou tentar convencer-nos que elas não acontecem.

Por isso, deixe-se de opiniões de conservadorismo vitoriano bacoco e actue. È para isso que é deputado!
 
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    Re: E assim se mete a cabeça debaixo da areia...    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 20:54 | Terça feira, 19 de maio de 2009
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