Soares: "Não é o momento de deixar cair José Sócrates"
Mário Soares fez um discurso breve, centrado sobretudo na crise que a Europa atravessa
Alberto Frias
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"Não acho que haja bom senso se o povo português não perceber que este não é o momento de deixar cair José Sócrates, é o momento de o pôr no lugar onde está", disse o histórico socialista, esta tarde, perante um Pavilhão Rosa Mota praticamente cheio. Estariam perto de 6000 pessoas, nas contas iniciais de Renato Sampaio, o líder da federação distrital do Porto, talvez mais. As suficientes, fosse como fosse, para que Sócrates qualificasse o evento como "um comício histórico".
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Mário Soares fez um discurso breve, centrado sobretudo na crise que a Europa atravessa. Confessou-se desiludido, "como europeísta", com a chanceler alemã, Angela Merkel, a quem lamentou a atitude "muito tíbia e hesitante em relação à Grécia e à Irlanda". Acusando os mercados financeiros de serem "insaciáveis", propôs mesmo: "as empresas de rating deviam ser ilegalizadas".
A terminar, resumiu Sócrates como "um líder que ganhou uma experiência internacional excepcional". Para então apelar indiretamente ao voto no PS: "Não creio que haja bom senso se o povo português não perceber que este não é o momento de deixar cair José Sócrates, é o momento de o pôr no lugar onde está".
"O PS cometeu erros", disse Amado
Antes de Soares falara Luís Amado, o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros que estivera anunciado para ontem, em Braga, mas que a chuva torrencial impediu de falar. Amado, que começou por um rasgadíssimo elogio ao secretário-geral do PS (um "talento de liderança" que conseguiu o "milagre" de "unir, motivar e mobilizar os socialistas" para um dos "combates mais difíceis da sua história"), introduziu uma nuance inédita na narrativa socialista.
"O PS cometeu erros", reconheceu Amado - que não é candidato a deputado nestas eleições. "Mas o que está em causa nestas eleições são os erros da oposição", acrescentou logo de seguida, acusando os restantes partidos portugueses, da esquerda à direita, de "não saberem lidar com a crise, de não reagirem como oposição responsável". "Imputar ao PS as responsabilidades desta crise é uma impostura política, um ato de demagogia que os portugueses não compram e por isso esta campanha está a ser renhida", justificou.


