24 de abril de 2014 às 5:48
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Só o BCE é capaz de garantir "estabilidade e liquidez"

Três dias antes do anúncio do acordo do resgate para a banca espanhola, Mariano Rajoy enviou uma carta urgente a Durão Barroso e Van Rompuy em defesa de uma maior integração fiscal e bancária na Europa.

com Lusa
O presidente do Governo espanhol disse hoje no Congresso de Deputados ter remetido uma carta aos líderes europeus J. J. Guillen/EPA O presidente do Governo espanhol disse hoje no Congresso de Deputados ter remetido uma carta aos líderes europeus

O presidente do Governo espanhol disse hoje no Congresso de Deputados ter remetido uma carta aos líderes europeus em que defende "claramente" uma maior integração bancária e fiscal na Europa.

A carta endereçada ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, data de 6 de junho, três dias antes do anúncio de que Espanha iria avançar com um pedido de ajuda externa para a recapitalização da sua banca.

No texto, Rajoy considerou que a Europa "está a atravessar a crise mais grave desde a sua criação" com o euro "em risco", sendo urgente "atuar de forma decidida, a nível nacional e como unidade, para enfrentar uma situação cujo desenlace é imprevisível".

Mercados nacionais continuam "excessivamente segmentados"


O chefe do Governo espanhol afirmou que se está perante uma "fragmentação do mercado financeiro comunitário" e, como consequência, "uma fuga de liquidez dos países da periferia para o centro". "Esta situação é insustentável, imprevisível e poderá levar o euro ao limite", escreveu.

"Resolvê-la requer uma ação decidida para superar as deficiências de desenho da união, dotando-a de mecanismos de ajuste necessários", afirmou.

Para concluir esse objetivo, Rajoy defendeu uma atuação em vários âmbitos, o primeiro dos quais o processo de "consolidação fiscal" para que a Europa regresse ao "caminho do crescimento equilibrado e sustentável".

Recuperar o crescimento e o bem-estar requer também que os Estados-membros "reformem os seus mercados em profundidade", dando à união monetária a flexibilidade necessária para funcionar corretamente.

O líder espanhol defendeu ainda que a UE e a zona euro, em particular, devem continuar a avançar no processo de "integração dos mercados nacionais", que continuam "excessivamente segmentados".

Entre as questões específicas, neste campo, Rajoy pediu "mais atenção à liberalização dos serviços" e "fomentar a mobilidade do trabalho".

"Assegurar a estabilidade financeira é essencial"


A curto prazo, o governante espanhol afirmou serem necessárias medidas para "garantir a estabilidade financeira da zona euro", garantindo que "as empresas e as famílias têm acesso a liquidez".

"Isso é impossível se persistirem as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida dos Estados soberanos", disse.

"A única instituição que tem hoje a capacidade para assegurar essas condições de estabilidade e liquidez é o BCE. Assegurar a estabilidade financeira é essencial para mostrar o compromisso dos Estados-membros com a irreversibilidade do euro", escreveu Rajoy.

Finalmente, Rajoy afirmou que devem ser exigidos "objetivos a médio prazo" para responder às expetativas dos investidores, nos quais devem ser apresentadas garantias de "que tem sentido apostar no euro como área estável e fiável".

Europa deve ter uma autoridade fiscal


"Por isso, é necessário que os líderes europeus cheguem a acordo no compromisso decidido e contundente com a moeda única, reforçando a arquitetura institucional comum da união", referiu.

O líder espanhol defendeu ainda a criação de uma autoridade fiscal na Europa, "que possa dar uma orientação à política fiscal na zona euro, que harmonize as políticas fiscais e que permita um controlo das finanças, centralizado, além de ser gestora da dívida pública".

"No âmbito bancário é necessário contar com uma supervisão a nível comunitário e um fundo de garantia de depósitos comum", considerou. Mariano Rajoy, que falava na sessão do controlo ao Governo, explicou que levará a mesma mensagem na reunião que manterá com os líderes da Alemanha, França e Itália em Roma, no próximo dia 22 de junho.

"É preciso que se diga que o euro é uma moeda irreversível"


O chefe do Governo explicou o conteúdo da carta numa resposta ao líder da oposição, Alfredo Pérez Rubalcaba, no âmbito do debate sobre o resgate à banca espanhola, na  sessão do controlo ao Governo.

Rajoy garante que levará a mesma mensagem na reunião que manterá com os líderes da Alemanha, França e Itália em Roma, no próximo dia 22 de junho e na próxima reunião do Conselho Europeu, a 28 e 29 de junho em Bruxelas.

"Creio que a Europa deve ter uma maior integração fiscal e bancária. Defendo a resolução dos problemas de financiamento e liquidez que, neste momento, estão a afogar muitas economias e defendo que tudo isto seja debatido e as decisões sejam tomadas rapidamente", afirmou.

"Neste momento, para resolver os problemas das economias da zona euro, o mais urgente é que haja muita claridade sobre a zona euro e que se diga que o euro é uma moeda irreversível", sublinhou.


Clique para ler documento (disponibilizado pelo El Pais no seu site)
Comentários 20 Comentar
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Palmas para Rajoy!
É assim mesmo: a Espanha ao ataque,mesmo depois de pedir 100 mil milhões.
Porque se pedir e ter crédito é uma honra, impõe-se que o credor não esmague o pedinte.
E a Europa precisa de politicos que não se ajoelhem e chamem os bois pelos nomes!
Re: Palmas para Rajoy! Ver comentário
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Falta enviar carta a Passos Coelho.
Antes de enviar a carta a Barroso o Sr. Rajoy devia enviar primeiro uma carta a Passos Coelho em que se comprometesse a nivelar com Portugal o IVA e os impostos sobre os combustíveis, que estão a causar injustificados desequilíbrios no comércio transfronteiriço entre Espanha e Portugal. Há que pôr fim ao contributo unilateral dos cidadãos portugueses para a receita fiscal espanhola.
Efeitos benéficos da crise
Dizem os teóricos que as crises são momentos de ruptura, donde resultam sempre avanços significativos.

Nunca vi o desejo de união, de disponibilidade de cedência de soberania, tão francamente manifestado.
Não se fala de flamengos e valões, ouve-se menos barulho na "independente" Catalunha, País Basco idem.

Nada como um bom susto, para voltar à Terra. O forrobodó acabou,breve não haverá dinheiro para ensinar línguas esquisitas e pintar tabuletas de trânsito e nomes de ruas com bizarrias arcaicas.

Se a Europa aguentar esta crise, pode avançar uma geração na criação de estruturas europeias. Primeiro as económicas a que se seguirão as políticas.

Esperemos para ver..........
Re: Efeitos benéficos da crise Ver comentário
Política fiscal??? Erro crasso!
A tradução correcta é política ORÇAMENTAL!!!
Basta ler o texto para chegar a essa conclusão:
"En primer lugar, la necesidad de consolidación fiscalcomo condición necesária para que Europa... un país no puede gastar más do que tiene , y unas quentas públicas equilibradas son el primer requisito para generar confianza..."
A política fiscal (em português) tem a ver com impostos (natureza, taxas, ...). A política orçamental tem a ver com os gastos e receitas do Estado. Era a esta última que o Rajoy se referia!
Re: Política fiscal??? Erro crasso! Ver comentário
Mandar cartas a Barroso...
... é o mesmo que as enviar pai natal.
Re: Mandar cartas a Barroso... Ver comentário
ESPANHA. de RICA a POBRE

Agora os defensores da União Ibérica estão bem CALADINHOS.

Afinal as GALINHAS MAIORES que se viam logo depois de atravessar a fronteira, eram MAGRAS...

TGV espanhol, centenas de milhares de euros de prejuízo ... Barcelona tão rica que era ela afinal está na penúria ... tudo ocultado pelos nossos MEDIA incluindo o EXPRESSO, promotor das grandes obras públicas ....
Uma solução...
Caríssimos,
apresentamos um modelo que não é perfeito nem milagroso, mas, parece-nos um bom modelo que com certeza irá mudar muita coisa. Os Espanhóis e os Portugueses têm é de trabalhar juntos para não estarem dependentes ca caridade alheia, e por outro lado par sacudir os cães raivosos da finança mundial que estão a levar-nos à escravatura.Vá a www.movimentopartidoiberico.com faça o seu REGISTO de forma a devolver a Portugal e Espanha a grandiosidade e o respeito que merecem.
Re: Uma solução... Ver comentário
Mentiroso, mentiroso, mentiroso...
Rajoy, hombre orgulloso, orgullosísimo, y, sobre todo, MENTIROSO, como Pinocho. Algo huele muy mal en España.
Para lá de mentiroso... porque mentia? Ver comentário
Compadrios e interesesses com o FMI.
Até parece que tudo isto é do interesse do BCE!
Re: Compadrios e interesesses com o FMI. Ver comentário
Agora é que descobriste isso?!?
Ós anos, parecem anos, que ando a dizer que a «crise do Euro» é, na realidade, uma crise de liquidez; uma crise da responsabilidade do BCE. Principalmente do BCE. O cínico nisto tudo é que Mariano Rajoy e o seu partido, que sempre defendeu a política monetária do BCE quando esta sabotava as políticas do PSOE, sai-se agora com esta.

Parece ser um problema de «responsabilidade». Há uma certa maneira de «fazer política» em que «vale» sabotar a economia para ganhar eleições. Isto é de uma irresponsabilidade atróz e anti-patriótica. Mariano Rajoy, assim como o nosso mariano Rajoy cá da casa, deveriam ter mais juízo. O nosso imberbe não engana ninguém: é e assume-se como «um puto».. mas o Mariano Rajoy e as suas barbas brancas têm obrigação de ter mais juízo.
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