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Vila Real de Santo António

Só a requalificação e a diversificação podem salvar o comércio de fronteira

 

A ideia foi defendida este sábado durante o seminário onde foi debatido o futuro da atividade comercial da cidade pombalina. Falta de condições para investir continua a atrasar a modernização dos estabelecimentos

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Rua Teófilo Braga, em Vila Real de Santo António
Rua Teófilo Braga, em Vila Real de Santo António / Domingos Viegas / Jornal do Algarve
 

A requalificação dos estabelecimentos comerciais, tornando-os mais atrativos, bem como a diversificação da oferta, tornando-a cada vez mais exclusiva, foram as soluções apontadas para salvar o chamado comércio de fronteira de Vila Real de Santo António (VRSA), durante o seminário que decorreu ns última semana para debater o futuro da atividade na cidade pombalina.

O comércio de têxtil lar tem uma grande tradição em VRSA, embora já esteja muito longe do fulgor de outros tempos. Os espanhóis, principais clientes durante várias décadas, começaram a afastar-se, os artigos deixaram de ser procurados e a atividade agoniza de dia para dia. Apesar de o número de lojas de têxteis já ser muito inferior àquilo que foi nas últimas década, ainda representa a maior fatia do comércio do centro da cidade, com 43 estabelecimentos, continuando à frente do ramo do pronto-a-vestir, dos restaurantes e dos cafés.

A crise neste setor foi o ponto de partida para o debate que decorreu no Centro Cultural António Aleixo e que contou com a presença de comerciantes, autarcas, bem como representantes de associações empresariais e da Confederação do Comércio Português. Além de admitirem as dificuldades, os participantes também foram unânimes em considerar que os produtos têxteis comercializados na cidade pombalina têm cada vez mais qualidade.

 

Falta de diversificação deixou de atrair espanhóis

Um dos presentes foi o jornalista espanhol Angel Rebollo, de Huelva, convidado para explicar o ponto de vista do cliente do país vizinho e que acabou mesmo por colocar o dedo na ferida: "O comércio de Vila Real de Santo António tem um defeito: desde uma ponta até à outra, encontramos sempre os mesmos artigos. E é preciso diversificar, pois o cliente quer, cada vez mais, comprar produtos exclusivos".

Angel Rebollo, que visita a cidade pombalina frequentemente há mais de 30 anos, deixou ainda um alerta: "Por um lado, o cliente quer cada vez mais independência para comprar e gosta cada vez menos de ter que se dirigir a um balcão. Por outro lado, e uma vez que já não há fronteira como antigamente, ninguém vem a Vila Real de Santo António se não houver qualquer coisa atrativa para comprar".

No mesmo sentido, o responsável local da ACRAL, Joaquim Guedes, admitiu que em VRSA "ainda há comerciantes muito enraizados ao passado". No entanto, o dirigente associativo também apontou outras razões para a quebra do comércio de têxtil lar, entre as quais a concorrência das grandes superfícies e dos produtos com origem na China, o encarecimento do preço do algodão, a diminuição das margens de lucro e a perda de poder de compra do cliente espanhol.

 

"Nem todos os comerciantes têm dinheiro para investir"

E foi precisamente a questão das grandes superfícies comerciais a marcar a intervenção do presidente da autarquia vila-realense, que recordou o facto de o seu executivo não ter autorizado a implementação de qualquer nova estrutura deste género. "Sempre recusámos, porque achamos que o pequeno comércio é o oxigénio da economia local e um verdadeiro gerador de emprego", defendeu Luís Gomes, sublinhando que as grandes superfícies "acenam sempre com muitos postos de trabalho, mas depois a realidade é muito diferente." O autarca também alertou para a importância da modernização do comércio de têxteis.

No entanto, a modernização implica investimento, o que, para muitos comerciantes, continua a ser um obstáculo. "Para diferenciar é preciso apostar forte e para apostar forte é preciso investir, mas nem todos têm dinheiro para o fazer", recordou um dos comerciantes presentes na plateia.

Esta intervenção acabou por ir ao encontro da ideia defendida por João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). Este dirigente associativo considerou que, ao contrário do que os políticos preconizam, o corte nas despesas e a exportação de bens transacionáveis não é suficiente para que o país possa sair da crise.

"Só a exportação não chega. As grandes empresas exportadoras são poucas e, mesmo que aumentem as suas exportações, não vão gerar muitos mais postos de trabalho. Mas sem o mercado interno estamos tramados, por isso é muito importante apoiar e criar medidas para ajudar as micro, pequenas e médias empresas", defendeu Vieira Lopes.

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt )


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